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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Água

Água c/estômago vazio


Hoje é muito popular no Japão se beber água imediatamente após levantar da cama na parte da manhã.
Além disso, a evidência científica tem demonstrado outros valores.
Abaixo divulgamos uma descrição da utilização da água para os nossos leitores.
Para idosos com doenças graves e doenças em tratamento médico, a água tem sido
muito bem sucedida.
Para a sociedade médica japonesa, uma
cura de até 100% para as seguintes doenças:


Dores de cabeça,
problemas cardíacos,
artrite,
taquicardia,
epilepsia,
excesso de gordura,
bronquite,
asma,
tuberculose,
meningite,
aparelho urinário e doenças renais,
vômitos,
gastrite,
diarréia,
diabetes,
hemorróidas,
todas as doenças oculares,
constipação,
Próstata,
útero,
câncer e distúrbios menstruais,
doenças de ouvido,
nariz e garganta.

Método de tratamento:


1. Pela manhã e antes de escovar os dentes, beber 4 x 160ml copos de água.
2. Lavar e limpar a boca, mas não comer ou beber nada durante 45 minutos.
3 Após 45 minutos, você pode comer e beber normalmente.
4. Após os 15 minutos do lanche, almoço e jantar não se deve comer ou beber nada durante 2 horas.
5. Pessoas idosas ou doentes que não podem beber 4 copos de água, no início podem começar tomando um copo de água e aumentar gradualmente a quantidade para até os 4 copos por dia.
6. O método de tratamento cura doenças, e aqueles que estiverem bem, poderão
desfrutar de uma vida mais saudável.

A lista que se segue apresenta o número de dias que requer tratamento para curar / controlar e/ou reduzir as principais doenças:
1. Pressão Alta - 30 dias
2. Gastrite - 10 dias
3. Diabetes - 30 dias
4. Constipação - 10 dias
5. Câncer - 180 dias
6. Os doentes com artrite devem continuar o tratamento para apenas 3 dias na primeira semana e, desde a segunda semana, diariamente.

Este método de tratamento não tem efeitos secundários. No entanto, no início do
tratamento a pessoa irá urinar frequentemente.
É melhor, continuarmos com o tratamento, porque este procedimento funciona como
uma rotina de nossas vidas.
Beber água é saudável e dá energia


Isto faz sentido: o chinês e o japonês bebem líquido quente com as refeições, e não
água fria. Talvez tenha chegado o momento de mudar seus hábitos de água potável
para água quente, enquanto se come. Nada a perder, tudo a ganhar ...!

Para quem gosta de beber água fria, esta seção aplica-se a eles.


É bom beber um copo de água fria ou uma bebida fria após a refeição, porém, a água
fria ou bebida fria solidifica o alimento gorduroso que você acabou de comer. Isso
retarda a digestão.

Uma vez que essa 'mistura' reage com o ácido digestivo, ela reparte-se e é absorvida
mais rapidamente do que o alimento sólido para o trato gastrointestinal. Isto danificada
o seu intestino. Muito em breve, isso vai se transformar em gordura e pode nos levar ao câncer. É melhor tomar uma sopa quente ou água quente após cada refeição.

Nota muito grave - perigo para o coração:


As mulheres devem saber que nem todos os sintomas de ataques cardíacos vão ser
uma dor no braço esquerdo. Esteja atento para uma intensa dor na linha da mandíbula. Você pode nunca ter primeiro uma dor no peito durante um ataque cardíaco. Náuseas e sudorese intensa são sintomas muito comuns. 60% das pessoas têm ataques cardíacos enquanto dormem é não conseguem despertar. Uma dor no maxilar pode despertar de
um sono profundo.

Sejamos cuidadosos e estejamos vigilantes. Quanto mais se sabe, maior chance de sobrevivência ...

Um cardiologista diz que se todos que receberem esta mensagem, enviá-la a pelo
menos uma das pessoas que conhece, pode ter a certeza de que, pelo menos, poderá salvar uma vida.

domingo, 25 de outubro de 2009

qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim

Nasceste no lar que precisavas,
Vestiste o corpo físico que merecias,
Moras onde melhor Deus te proporcionou,
de acordo com teu adiantamento.
Possuis os recursos financeiros coerentes
com as tuas necessidades, nem mais,
nem menos, mas o justo para as tuas
lutas terrenas.

Teu ambiente de trabalho é o que elegeste
espontaneamente para a tua realização.
Teus parentes, amigos são as almas que atraístes,
com tua própria afinidade.
Portanto, teu destino está constantemente
sob teu controle.
Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais,
buscas, expulsas, modificas tudo aquilo
que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontades são a chave
de teus atos e atitudes...
São as fontes de atração e repulsão na tua
jornada vivência.
Não reclames nem te faças de vítima.
Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograme tua meta,
busque o bem e viverás melhor.

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim ".

Chico Xavier

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Aprenda a criar pastas protegidas com senhas no Windows XP

Quer evitar que seus documentos caiam nas mãos erradas? Aprenda neste tutorial como proteger seus diretórios com senhas pessoais.


Reportagem feita a partir de dúvida de leitor; saiba mais
Na vida real ou virtual, basta que você decida ter acesso exclusivo a algo para que uma fechadura ou uma senha especial barrarem estranhos.

Por que com o Windows teria que ser diferente? Os motivos para que o usuário proteja pastas com senhas são os mais diversos.

Você pode usar um PC compartilhado, querer proteger informações confidenciais ou apenas contar com dados fundamentais que você não pode se dar ao luxo de perder.

Independente da opção, é bom aprender que o sistema operacional da Microsoft oferece a opção de trancar informações.

A função que protege seus dados estipulando senhas para pastas, no entanto, nunca foi comum ao Windows - apenas na versão XP o usuário se deparou com a possibilidade.

A falta de idéia que muitos usuários têm sobre a função se explica pelo fato de a Microsoft não permitir a definição de uma senha diretamente no diretório – todo o sistema é feito por meio da compactação de arquivos.

O processo é simples. Crie uma nova pasta no seu disco rígido para organizar todos os documentos que deverão ficar longe dos olhos alheios.

Após terminar sua seleção, selecione todos os documentos e, após apertar o botão direito do mouse sobre o grupo, escolha a opção “Pasta Compactada” dentro do menu “Enviar para”.

A pasta zipada será criada instantaneamente no mesmo diretório onde estão os arquivos originais.

Antes de estipular a senha, vale um lembrete: caso os documentos sejam realmente necessários, seria sensato guardá-los em outra mídia, no freqüente caso dos usuários se esquecer da senha definida.


Fonte:
http://idgnow.uol.com.br/seguranca/2006/11/24/idgnoticia.2006-11-24.8426999313/

Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 24 de novembro de 2006 às 18h35
Atualizada em 12 de outubro de 2009 às 17h07

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) ainda é um mistério para uma parte considerável das empresas brasileiras

Adesão à nota eletrônica é baixa
Tributário: Iniciado em 2006, projeto só deslanchou nos Estados de São Paulo e Amazonas

Adriana Aguiar, de São Paulo
01/10/2009

A Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) ainda é um mistério para uma parte considerável das empresas brasileiras. A adesão ao projeto deslanchou em São Paulo e no Amazonas. Nos demais Estados, o percentual de participação dos empresários obrigados a emitir o documento varia entre 40% e 60%, segundo o coordenador técnico nacional do projeto, Álvaro Bahia. A NF-e já é obrigatória para empresas em mais de cem atividades econômicas.

O baixo percentual de adesão das empresas à NF-e não preocupa o coordenador do projeto, iniciado de forma experimental em 2006. "Essas empresas terão que se adaptar de uma forma ou de outra. Até porque deve haver uma atuação mais firme da fiscalização e o próprio mercado passará a pressionar pela adesão", diz Bahia.

Até o fim de 2010, todas as indústrias e o comércio atacadista e de distribuição deverão passar a utilizar a nota fiscal eletrônica, segundo a previsão firmada no protocolo de ICMS nº 42, de julho de 2009. "Com a ampliação da utilização da nota eletrônica, os próprios contribuintes deixarão de receber notas em papel de seus fornecedores", afirma.

Para o coordenador do projeto, o principal motivo para que nem todas as empresas tenham aderido na data estipulada para sua atividade econômica é a falta de uma fiscalização mais rígida pelas fazendas estaduais. Outro problema apontado por Bahia é o baixo valor das autuações em alguns locais.

Na Bahia, por exemplo, onde o coordenador do projeto atua como auditor fiscal da Secretaria da Fazenda, o valor da autuação foi estipulado em R$ 50 por nota emitida em papel. Com o baixo valor, só 40% das empresas locais aderiram ao projeto da NF-e. Para mudar a situação, o fisco já encaminhou uma proposta à Assembleia Legislativa com o objetivo de aumentar a autuação para 2% do valor da cada nota emitida em papel.

A falta de informação sobre a obrigatoriedade não é considerado por Bahia um fator crucial para o baixo percentual de adesão. "A nota fiscal eletrônica já vem sendo implantada desde 2006. Já houve tempo suficiente para as empresas se informarem a respeito", diz.

O valor para a implantação do sistema também não pode servir de desculpa para que empresas deixem de se adequar, segundo Bahia. Isso porque, a Receita Federal oferece gratuitamente um software que pode ser utilizado por pequenas e médias empresas que emitem até 400 notas por dia. O download do programa está disponível no www. nfe.fazenda.gov.br.

E mesmo as empresas que precisam de sistemas mais complexos para atender suas necessidades não terão que investir somas vultuosas para aderir ao projeto da NF-e, de acordo com Bahia. "Existem softwares que custam a partir de R$ 90 por mês."

Para o coordenador do projeto, ainda falta a conscientização de que a nota fiscal eletrônica não é somente vantajosa para o Fisco. "A empresa também ganha muito com sua implantação. Com a informatização, ela reduz seus custos e ganha mais visão do seu negócio", afirma.

Os Estados de São Paulo e Amazonas adotaram algumas práticas peculiares que auxiliaram na alta adesão das empresas. A Fazenda paulista, além de auxiliar a desenvolver o software hoje disponível no site da nota fiscal eletrônica para empresas de todos os Estados, também credenciou de ofício todos os contribuintes que entendeu estarem obrigados a emitir a NF-e, segundo o líder do projeto na Secretaria da fazenda do Estado, Marcelo Alves Fernandes. "Isso já resultou em altos índices de adequação", diz.

De acordo com o balanço da Fazenda paulista, nas três primeiras fases de implantação da NF-e - abril de 2008, dezembro de 2008 e abril de 2009 - houve adesão próxima a 80% do total da empresas que teriam que se adequar. Já os dados do último prazo, em setembro deste ano, ainda não foram consolidados. "Mas podemos adiantar que o número de empresas que adotaram o sistema foi muito grande", afirma Fernandes.

Para ele, os setores que estão obrigados a emitir a nota fiscal eletrônica têm sido comunicados com bastante antecedência pelos protocolos de ICMS da Fazenda. "As empresas não são surpreendidas com esses prazos. O credenciamento auxilia na eliminação de qualquer dúvida com relação à sua obrigatoriedade de adesão."

No Amazonas, o principal artifício utilizado para que as empresas passassem a emitir notas eletronicamente foi a parceria com entidades de classe, segundo Luiz Gonzaga Campos de Souza, assessor do secretário de estado da Fazenda. Ele explica que foi criado um fórum de discussões com a participação da Fazenda, a prefeitura de Manaus e diversas associações comerciais e industriais do Estado para esclarecer dúvidas e alertar os setores que serão os próximos a entrar no projeto. "Além disso, o secretário da Fazenda também tem conversado pessoalmente com as empresas que terão que se adequar no próximo prazo para orientar e esclarecer dúvidas", afirma.

O resultado dessa prática já tem se refletido no alto índice de adesão, que está em torno de 90%, de acordo com Souza, se considerarmos o potencial econômico, faturamento e arrecadação das empresas que estão obrigadas e se adequaram no prazo.

Contexto
A Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) tem como finalidade a alteração da sistemática atual de emissão da nota fiscal em papel por eletrônica. A documentação armazenada eletronicamente para fins fiscais serve para registrar operações de circulação de mercadorias ou prestações de serviços. Sua validade jurídica é garantida pela assinatura digital do remetente e pela recepção, pelo fisco, do documento eletrônico, antes da ocorrência do fato gerador. A Nota Fiscal Eletrônica é um dos três pilares do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped ), criado em janeiro de 2007 por meio do Decreto nº 6.022. O sistema, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal (PAC), tem o objetivo de tornar virtual toda a escrituração fiscal e contábil das empresas. O projeto da Nota Fiscal Eletrônica é coordenado pelo Encontro Nacional dos Administradores e Coordenadores Tributários Estaduais (Encat) e foi desenvolvido em parceria com a Receita Federal.


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Sistema será aperfeiçoado para coibir fraudes
De São Paulo
01/10/2009

Ainda em fase de implementação no país, a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) sofrerá as primeiras alterações para aperfeiçoar a fiscalização do pagamento do ICMS. Já está sendo preparada a segunda geração do sistema, que tem como objetivo reduzir as fraudes já detectadas no Brasil com relação à NF-e. Uma delas seria a simulação de uma operação interestadual de venda que, na prática, resulta no pagamento menor do imposto. Nesse caso, as notas são emitidas como se a comercialização da mercadoria tivesse ocorrido de um Estado para outro e não no mercado interno.

O projeto piloto do novo sistema começa em novembro deste ano e será testado no setor de combustíveis do Estado de São Paulo e da Bahia. A previsão é de que o novo programa esteja presente em todo o setor de combustíveis até março de 2010 e, posteriormente, seja estendido aos demais setores da economia, segundo a coordenação nacional do projeto de implantação da NF-e.

Na prática, o que passa a ser evitado com o novo sistema é que uma empresa localizada em São Paulo, por exemplo, envie apenas a nota fiscal para o posto de fronteira de um Estado, sem a mercadoria, para simular uma operação interestadual. Isso porque, o ICMS cobrado no Estado de São Paulo corresponde em geral a 18%, enquanto a alíquota interestadual, quando se trata de operações que cruzam fronteiras, varia de 12% a 7%. Por isso, o novo sistema prevê uma confirmação do recebimento da mercadoria no destino final.

Segundo o coordenador-geral do Encontro Nacional dos Coordenadores e Administradores Tributários Estaduais (Encat) e responsável pelo projeto da Nota Fiscal Eletrônica, Eudaldo Almeida de Jesus, esse tipo de fraude tem sido mais intenso em setores que recolhem uma alíquota maior de ICMS, como combustíveis e cigarros. Por isso a iniciativa de começar o projeto piloto pelo setor de combustíveis.

A segunda geração da NF-e deve trazer também uma maior troca de informações entre os órgãos envolvidos na operação, segundo o coordenador técnico nacional do projeto de implantação da Nota Fiscal Eletrônica, Álvaro Bahia. A ideia é chegar a um estágio em que o contribuinte ao adquirir um automóvel novo e licenciá-lo no Detran, essas informações façam parte da documentação eletrônica à qual o fisco já terá acesso e passará a considerar o bem como um patrimônio daquele contribuinte. O Estado também terá essa informação para cobrar o IPVA. "Todo esse histórico poderá ser gerado no futuro próximo", diz.

Ainda dentro do conceito de segunda geração, Álvaro Bahia afirma que coordenação do projeto está desenvolvendo um sistema de rastreamento de mercadorias por meio de etiquetas RFID (identificação via radiofrequência) com as informações contidas no Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica (Dunfe), utilizado para acompanhar o trânsito da mercadoria. Assim será possível detectar as informações sobre o pagamento do ICMS sem ser necessário vistoriar a carga.

Como o sistema de nota fiscal eletrônica deve sofrer constantes modificações, a consultora tributária da Confirp Consultoria Contábil, Heloisa Harumi Motoki, recomenda que as empresas optem por softwares mais abertos, que comportem novas adaptações. Para Marco Zanini , diretor comercial e operacional da NF-e do Brasil - empresa especializada em inteligência fiscal -, as empresas que adotaram softwares disponíveis no mercado têm, em geral, o serviço de manutenção e de adaptação às modificações incluído no pacote. "No entanto, nos softwares desenvolvidos sob medida para uma determinada empresa, essa adaptação dever ser mais trabalhosa e custar mais", afirma Zanini.

Todas essas modificações devem tornar ainda mais rigorosa a fiscalização, segundo o diretor de soluções da IOB, José Adriano Pinto. "As empresas terão que se preocupar cada vez mais com relação à qualidade das informações fornecidas, com o intuito de evitar transtornos posteriores", afirma. (AA)

domingo, 18 de outubro de 2009

Não é possível convencer um crente - Enviada pelo Guilherme Ogro San

“Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.”
Carl Sagan

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Um barco está seguro em um porto

"Um barco está seguro em um porto. Mas os barcos não são construidos para isso..."
John A. Shedd

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O ESPIÃO QUE VEIO DO CÉU Contos e Causos do Maga

Naqueles tempos em que eu ensinava mergulho para reforçar meus ganhos limitados, a conclusão, o fecho das doze aulas teóricas e outras tantas práticas que ministrava em noites paulistanas acontecia no mar de Ubatuba, no litoral norte paulista. Mais precisamente na Rapada, a ilha agreste que ocupara anos antes e onde mantinha uma pequena casa de madeira. As várias milhas que a separavam do continente e a inexistência de riachos desaguando em seu contorno rochoso eram quase garantia de encontrarmos ali águas transparentes, propícias ao mergulho de principiantes. Acresce que a vida marinha era abundante, de forma a encher os olhos e entusiasmar os neófitos mergulhadores, que com essa excursão de encerramento de curso eram declarados aptos para continuar exercendo a atividade.

Apesar da necessidade, por razões de segurança, de supervisão de pessoas mais experientes no primeiro contacto real com o ambiente submarino, nem todos os alunos aderiam a tais provas de mar. As puxadas instruções em piscina já eram consideradas suficientes para alguns deles, daí para a frente se virariam sozinhos em seus mergulhos. Ou simplesmente parariam por ali mesmo, desistiriam, como às vezes sucedia, por se sentirem inadaptados ao desafio ou pelos custos da prática do mergulho no litoral distante.

Numa determinado curso, em especial, uns quinze deles animaram-se a descer a serra em direção a Ubatuba e a seu batismo de mar. Para o deslocamento até a ilha, eu costumava fretar uma embarcação de pesca de tamanho compatível com o número de alunos a transladar. Já possuía então uma lancha, minha primeira lancha, que me veio inesperadamente no primeiro sorteio de um grupo de consórcio da Carbrasmar, renomada construtora de barcos de lazer, a que aderira, relutante, por muita insistência das vendedoras. Era uma linda embarcação de 18 pés de comprimento, elaborada em madeira contra-placada, impulsionada por um também afamado motor Volvo a gasolina. Mas, pelo seu tamanho, inadequada para transportar aquele número de alunos.

Normalmente, em tal situação, eu deixaria meu barco ancorado em terra, e compartilharia com os alunos a embarcação fretada, lenta, de motor barulhento e desprovida de qualquer conforto. Pensando, porém, nas duas moças que faziam parte do grupo, e no intuito único de poupar-lhes as quase duas horas de viagem no pesqueiro, que poderiam inclusive fazê-las enjoar e estragar-lhes o passeio, decidi levá-las comigo na lancha, e os demais nos seguiriam no barco de pesca.

Assim foi feito, sem quaisquer protestos por parte dos rapazes, que compreenderam minha louvável intenção. Logo depois de embarcarem no pesqueiro, subi as jovens em meu barco, acomodei-as a meu lado no banco almofadado que se estendia de bordo a bordo, e rumei a Ilha Rapada.

A manhã estava linda, o mar quase espelhado, mas a velocidade imprimida à lancha a fazia saltar em qualquer pequena ondulação. O vento criado pelo deslocamento rápido também poderia, talvez, transmitir uma sensação de insegurança a minhas simpáticas e bonitas acompanhantes. E então, segurando o volante com a mão esquerda, estiquei cavalheirescamente o braço direito por sobre os ombros das moças, num gesto protetor.

Estávamos já próximos ao destino, dava para perceber os detalhes da topografia da ilha e de sua vegetação exuberante, quando, acima do zumbido, abafado pela sua caixa, do motor da lancha, percebi um outro ruído, ainda leve, vindo por bombordo. Olhei displicentemente à esquerda, e um pequeno ponto confundindo-se com a costa distante, deslizando velozmente a pouca altura sobre as águas, adquiriu em alguns segundos os contornos de um avião dirigindo-se retilìneamente em nossa direção. E em mais outros segundos o ruído transformou-se no ribombar tonitruante de um motor potente sobre nossas cabeças.

O avião, passando a não mais que uns assustadores vinte metros sobre a lancha, fez depois uma curva suave, e aí, tão ràpidamente quanto chegara, a aeronave sumiu em direção a Ubatuba.

Depois de acalmar-me com a retirada da súbita aparição, um pressentimento me veio para tentar explicar o fato inusitado . Um pressentimento preocupante, mas sobre razões improváveis, muito improváveis. E com o desembarque na ilha, a chegada posterior dos demais alunos, e os mergulhos agradáveis que seguiram, eu afastei o pensamento inquietante.

Mas, quando retornados no final da tarde, minha premonição se revelaria verdadeira. Um amigo, um bom amigo que possuía um avião particular apesar de fartar-se de voar em sua profissão de piloto comercial de grandes jatos, descera sem aviso prévio a me visitar em Ubatuba. Procurara-me em minha residência, minha esposa contou que eu acompanhara um grupo de alunos em um mergulho na Rapada. E ele convidou-a a voar até lá, para fazer-me uma surpresa.

E o infeliz fez-me mesmo a surpresa. Desculpou-se muito, disse que tão logo viu meu braço protetor sobre os ombros das moças, tão logo percebeu que sua acompanhante era uma presença inadequada à situação, afastou-se e retornou à cidade em seu indiscreto avião.

Mas o mal estava feito. E, pior que pedidos de explicação sobre aquele braço colocado em lugar errado, ou até sobre a simples presença solitária das jovens na lancha, pior mesmo foi o silêncio gélido que enfrentei ao retornar à minha casa. Um silêncio mais contundente que quaisquer cobranças ou admoestações.

Poderia até lembrar, se outro tipo de recepção me instasse a isso, um velho ditado. Maudit soi qui mal y pense, dizem os franceses. Maldito seja aquele que pensa mal. Mas não tive ocasião de exibir meus reduzidos conhecimentos da língua de Flaubert, e creio que eles não me teriam valido muito.

Autorizado pelo Magalhães (Maga)

domingo, 11 de outubro de 2009

PORQUE OS CASAMENTOS DURAVAM ANTIGAMENTE

Frases retiradas de revistas femininas das décadas de 50 e 60:

"Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas". (Jornal das Moças,
1957)


"Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu
carinho e provas de afeto, sem questioná-lo". (Revista Claudia, 1962)


"A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar
banho fora de casa". (Jornal das Moças, 1965)


"A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas,servindo-lhe
uma cerveja bem gelada. Nada de incomodá-lo com serviços ou notícias
domésticas". (Jornal das Moças, 1959)


"Se o seu marido fuma, não arrume briga pelo simples fato de cair
cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa".
(Jornal das Moças, 1957)


"O noivado longo é um perigo, mas nunca sugira o matrimônio. ELE é quem
decide - sempre". (Revista Querida, 1953)


"Sempre que o homem sair com os amigos e voltar tarde da noite, espere-o
linda, cheirosa e dócil". (Jornal das Moças, 1958)


É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido".
(Jornal das Moças, 1957)

E para finalizar . . .. "O lugar de mulher é no lar. O trabalho fora de
casa masculiniza". (Revista Querida, 1955)

CONCLUSÃO: Não se fazem mais revistas instrutivas como antigamente.

sábado, 10 de outubro de 2009

Existem 3 tipos de homens

Existem 3 tipos de homens:

tipo 1 – Os MORTOS – aqueles que já morreram, lógico.

tipo 2 – Os VIVOS – nós que temos o privilégio e o inenarrável prazer de velejar na mar – 1% da população mundial, não mais.

tipo 3 - Os MORTOS-VIVOS - que são todos vocês que vivem em terra cheirando fumaça de óleo diesel e ouvindo:

o infernal funk tocar alto no bar da esquina

o insuportável barulho do maldito motor

mais o indigesto burburinho dos intrigantes falando mal dos vizinhos. Cuidado que além de ser tudo que você come, você também é tudo que você ouve, vê, lê e cheira. Ligado?

Ahhh... ía-me esquecendo de um detalhe importante sobre os mortos. Aqueles que nasceram, viveram e morreram sem jamais aprender a velejar morreram duas vezes.

Mas deixemos de filosofar que a filosofia não está na moda. E as pessoas, nestes tempos obscuros que correm, são todas escravos da moda. O que está na moda são os reality shows que começaram a invadir os únicos canais inteligentes da TV – The History Channel, Nat Geo, Discovery e Animal Planet.

A propósito, amigo velejador, qual seu programa predileto dentre todos, a maioria excelente, apresentados nestes quatro oásis audiovisuais?

O meu é “Animal Planet ao Extremo”, seguido por “Caçadores de Mitos”, seguido por “À Prova de Tudo”, seguido por “Pacífico Sul”, seguido por “O Mundo sem Ninguém” e o seu?

Seja qual for, eu lhe garanto, que uma simples velejada de Cabo Frio a Arraial do Cabo a bordo da minha querida “Estrela d’Alva” vale mais que dez “Animal Planet ao Extremo” juntos e muito mais que mil novelas, reality shows ou programas de auditório televisivos.

Muito bons ventos amigos e a amigas

e até a próxima, se Netuna permitir




Fernando “Estrela d’Alva” Costa,

O maluco da batera à vela
uiz costa [fernandocosta2002@yahoo.fr]
Tel ( 22 ) 9253 - 5030

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

CRONIQUETA SOBRE CERTA NOITE CARIOCA - Contos e Causos do Maga

A MORTE DO AMIGO, REGATINHAS PIONEIRAS,

E AO FIM UMA CRONIQUETA SOBRE CERTA NOITE CARIOCA.

A morte prematura, inesperada, absurda do Jöerg (leia-se Iorgue, é como o chamávamos na intimidade, depois abrasileirado para Jorge) afetou-me profundamente. Soube dela no primeiro momento. Estava no amplo salão da redação da “Folha de São Paulo”, era o dia em que ia lá almoçar no apertado mas divertido restaurante interno, comer aquela comidinha barata e gostosa. Encontrar e papear com os amigos do jornal, e depois entregar ao Fininho, chefe do setor no qual colaborava, o material que preparara para a coluna semanal sobre mergulho que assinava nos jornais do grupo. Mas naquele começo de tarde havia algo diferente, alguma coisa nova e importante no ar. Um zumzum, repórteres se reunindo numa mesa, ora noutra, rostos tensos, numa movimentação unusual mesmo para uma redação de um dos maiores diários do país.

Perguntei a alguém o que havia, e veio a notícia. Um avião da Varig caíra nas proximidades do aeroporto de Orly, e pegara fogo. E logo a complementação, que até hoje, quando lembrada, não consigo evitar calafrios, sinto-os mesmo aqui, agora, sentado diante do teclado. Morrera muita gente, o avião estava cheio. Gente conhecida, contou. O cantor Agostinho dos Santos, o senador Filinto Muller, o .... E um esportista, um tal de Jorge Bruder ...

Eu sabia, sim, que ele estava em viagem. Depois de um período de distanciamento, ele empenhado em suas regatas e eu nas disputas de caça submarina e na criação de nosso clubinho, encontrei-o casualmente na avenida Santo Amaro. Recordamos coisas, rimos, falei do clube e ele das suas atuais atividades. Depois de pegar a representação de uma fábrica européia de velas, estava se dedicando por inteiro à produção de monotipos de regata. Os barcos da classe “Snipe” que o Brasil ofereceria aos participantes do próximo campeonato mundial, em Buzios, eram já de sua fabricação. Os moldes ainda estavam precisando de alguns ajustes, esses primeiros cascos saídos deles ficaram um tantinho fora de medida, mas como todos os barcos participantes eram assim exatamente iguais e seriam sorteados, não haveria problemas.

Contei sobre minha vontade de introduzir a Vela em nosso recém-criado clube, e ele comentou sobre outro veleiro que estava também em projeto de construção, um barquinho sem leme, com o mastro móvel abatendo-se para os quatro lados, para mudar o centro de aplicação da força do vento e assim conseguir determinar o rumo da embarcação. Alguma coisa como as pranchas de windsurf que depois se vulgarizariam também por aqui, só que maior e mais estável. Talvez esse fosse o barquinho adequado para começarmos ...

Combinamos que, retornado da disputa de mais um campeonato mundial de “Finn”, para a qual embarcaria logo mais e que certamente, mais uma vez, a quarta vez, devia vencer, ele desceria a Ubatuba num final de semana. Exporia ao nosso pessoal as coisas da grande Vela competitiva internacional, projetaria slides de suas viagens, e estudariamos juntos qual classe de monotipos seria realmente a mais apropriada para um início de implantação do esporte vélico em nossa associação e na região.

Isso fora dois dias antes. Apenas dois dias antes. Aí se explica o choque maior. Ainda estavam soando em meus ouvidos suas palavras, que me animaram num propósito a cada dia mais reforçado: voltar à Vela. Nunca a abandonara realmente, mas a falta de oportunidades mais frequentes para sua prática, e principalmente o trabalho de sobrevivência que me levara para o lado do mergulho, me afastaram um pouco dela --- e eu sempre soubera que velejar era para mim o mais importante da vida.

Passados os primeiros minutos de estupor, caí em mim, voltei ao Fininho e disse que gostaria de substituir a coluna que eu acabara de lhe entregar, queria deixar algo sobre a morte do amigo. Ele disse para eu pegar alguma das máquinas de escrever nas mesas vazias, eu sentei-me e preparei de arranco um texto lembrando aquele saudoso verão de 56, aqueles dois meses e meio que passáramos juntos navegando e pescando de mergulho nas águas do então pouco conhecido litoral norte paulista.

Emocionado, entreguei as laudas preenchidas ao Fininho, enfatizando que, pela primeira vez desde que fora convidado a colaborar no jornal, escrevera na primeira pessoa, era coisa muito pessoal, mas gostaria que não fosse nada mudado. Passei-as a ele temendo que a publicação não fosse aprovada, pois o inacessível Cláudio Abramo, diretor e redator-chefe (depois dele viria o mais simpático Boris Casoy), postado lá perto em sua grande mesa junto à parede do salão, não permitia que nós, simples colaboradores, nos afastássemos do tema específico que nos cabia. Mas ele leu o texto, respondeu que o achara muito bom e iria à impressão assim mesmo, sem mudar-se uma vírgula. Foi a pequena homenagem que prestei ao amigo que nos deixara de forma tão insólita, ainda tão jovem e com tantas perspectivas pela frente. Não fosse ceifado assim cedo traria muitas outras glórias à vela nacional. Imbatível, com sua versatilidade, sua adaptabilidade a qualquer classe e barco e seu estupendo preparo físico, seria talvez o maior velejador brasileiro de todos os tempos.

Assim, além do trauma da perda de um companheiro de tantas boas lembranças , das acampadas semanais à beira da Guarapiranga às posteriores viagens de barco e de motocicleta a Ubatuba, das caçadas submarinas e de outras ao sexo oposto nas noites praianas, a morte trágica do Jöerg Bruder me fez postergar a empreitada --- e foi realmente uma empreitada --- de procurar difundir a atividade veleira em nosso litoral norte.

Certo dia conheci o argentino Jorge Horácio Anël, que depois viria a se tornar um amigo. Ele fabricava de forma pioneira, num barracão em Diadema, nos arredores de São Paulo, um pequeno e interessante veleiro em fiberglass, material ainda novo por aqui, a que deu o nome de “Starfish”. Jamais fiquei sabendo se reproduzira as formas de um similar importado, ou copiara com pequenas modificações um barco parecido americano, o “Sunfish”, que constituía a classe mundial mais numerosa, com mais de cem mil unidades fabricadas. Mas gostei de seu barquinho, não custava muito e parecia ser o que precisávamos.

Esses “Starfish” foram então a base do desenvolvimento do esporte em nossa área. Ao longo de dois ou três anos encomendei ao Jorge Anël sessenta e seis unidades, mas apenas o casco nu, nada mais. Mastros e retrancas eram tubos de alumínio, eu os preparava pessoalmente em Ubatuba, e fazia também, a serrote e lixadeira, os lemes e bolinas de contraplacado de madeira. Ferragens eram preparadas na morsa, utilizando retalhos de chapas de inox comprados em ferro-velho e perfis de alumínio, aí incluídas as governaduras, garlindéus, cunhos e até os moitões de escotas.

A intenção era baratear ao máximo o barco, e mesmo que quisesse comprar prontas tais ferragens haveria dificuldades, sua fabricação era rara e também meio artesanal. Ao que sabia, na área náutica paulista apenas o Alfio, irmão do conhecido artesão de belíssimos barcos de madeira na Guarapiranga, o lendário Flório Zottarelli, os produzia. Mas os fazia bonitos, em material mais adequado e caro, e não primitivos, toscos, como os que saiam de minhas mãos. Que, porém, funcionavam a contento, tão bem quanto.

Já as velas eu as encomendava ao amigo de muito tempo, o estimado (Gunther) Renato Dombrowski. E não eram latinas como o Jorge Anël montava, usadas também nos “Sunfish” americanos, mas sim uma armação em eslupe, com uma grande presa ao mastro à maneira antiquíssima, com cabinhos atados a ilhoses, e mais uma vela menor na proa. Nada de brandais de aço inox, nem mesmo de galvanizado, eles encareceriam o produto final. As próprias adriças, de barato poliester, passadas e amarradas em simples furos abertos numa e na outra borda do barco, faziam esse papel, e a cordoalha de reforço da testa da velinha de proa, um vez ela envergada, sustentava também o mastro, à guisa de estai. Nada de olhais, nem passadores, nem esticadores. Simplicidade funcional máxima.

Visto lateralmente e de certa distância, ele lembrava bastante um filhote de “Snipe”, tinha linhas semelhantes, sugeriam elegância e velocidade. E o barquinho era mesmo rápido, principalmente nos primeiros tempos de uso, quando as velas de nylon, material barato mas inadequado pela sua fácil deformação anelástica, não estavam ainda embarrigadas.

Certa vez fomos procurados por um dos sócios da Coast Catamaran do Brasil, o Manfred Von Schafthausen, cujo estaleiro começara a produzir, sob licença, os famosos multicascos Hobie Cat 14’ em nosso país. Estava marcada uma regata em Ubatuba para breve, e ele desceria a serra trazendo alguns de seus veleiros, convidaríamos outros já existentes na região, e haveria então número para uma disputa animada nessa classe.

Na noite anterior à prova, o Manfred exibiu para nós assistentes deslumbrados, numa tela improvisada ao ar livre num recanto diante de nosso antigo e modesto barzinho-sede, um filme captado em águas americanas mostrando as maravilhas do seu afamado catamarã. Alguém, mais desconfiado, até juraria que o filme, colorido e em formato Super-8, estava sendo projetado em velocidade maior que a normal, tal a rapidez com que os catamarãs focados, quais bólidos, atravessavam a tela. Um estupor.

E chegou o dia da regata, uma única programada, de percurso relativamente extenso num triângulo montado na enseada fronteira ao clube. Para separar bem os barcos das classes disputantes, visando um controle mais fácil das classificações, e como os cats visivelmente seriam mais rápidos que as outras classes disputantes, seu tiro de partida foi dado três minutos antes dos “Starfish”. E noutros três minutos depois sairiam os poucos “Pinguins” de que dispúnhamos.

Soprava um vento médio e constante em direção, o que reduziu um tanto o fator sorte e possibilitou uma velejada mais interessante e rápida. Mas sua força foi suficiente para provocar, com a inclinação que os barcos tomavam nos travezes e contraventos, o escorregamento para a água da proeira de um dos barcos que eu montara, a própria filha do timoneiro. Nada preocupante. O pai atirou-se também à água, emborcou o barco e segurou-o até que a jovenzinha se aproximasse nadando. Desvirou então o veleiro e ajudou a menina a voltar para bordo, prosseguindo na prova alguns poucos minutos depois.

Ao final, a surpresa: os “Starfish” haviam recuperado bastante da distância que, na partida, os separara dos “Hobie-Cat”. Assim ameaçado durante o transcorrer da disputa, o Manfred, que encabeçava a flotilha, depois de cruzar a linha de chegada embicou seu cat na praia aliviado e exultante:

--- Ganhamos, ganhamos, exclamou-nos ao colocar os pés na areia. O que ele queria dizer, e normalmente seria o obvio, era que os barcos que fabricava venceram as outras classes participantes. Mas seu entusiasmo logo se transformou em total desaponto, ao ser lembrado de que, apesar de vencer entre os catamarãs e chegar um pouco à frente de todo o pelotão, perdera em tempo real de um dos “Starfish”, devido à diferença de três minutos entre os dois tiros de partida. E o barquinho em questão fora justamente aquele que gastara um tempo precioso com a queda da menininha à água!

Uma performance surpreendente dos modestos “Starfish”, nossos veleirinhos improvisados, simplificados, barateados. Mesmo considerando que o timoneiro vencedor, o Oswaldo Kemeny, nosso associado, era um bem sucedido participante de regatas de outra classe mais competitiva na Represa de Guarapiranga. Mas o Manfred, de sua parte, seria em tese ainda melhor velejador --- afinal já fora campeão continental de outra classe muito disputada, a “Lightning”. A explicação pode ser encontrada no desempenho fraco desses multicascos, desprovidos de bolina ou qulha, nos contraventos. Mas essa regata, de memória inscrita com minúcias nos informativos do clube, foi durante muito tempo comentada com humor quando surgia o assunto da velocidade dos catamarãs.

Passou-se o tempo, os “Starfish” do clube haviam envelhecido um tanto junto com seus donos, ocorria um decréscimo de interesse na atividade vélica. Precisávamos fazer alguma coisa para renovar a flotilha vélica do clube. Aí, em certa ocasião, visitando o Iate Clube do Rio de Janeiro, conheci o “Laser”, recém-chegado ao país. Suas linhas, modernas mas não exageradas, justificavam a fama que já haviam adquirido por aqui, e encantavam a todos os adeptos da Vela, sobretudo a safra nova, a moçada. Resolvi fazer força em sua venda, fui até São Gonçalo, cidade perto de Niterói, em cujas vizinhanças situava-se o estaleiro dos “Lasers”. Conversei longamente com os fabricantes, donos da Performance Sailcraft do Brasil, e saí ganhando sua representação em minha área geográfica.

Não que, como negócio comercial, lucrativo, valesse muito a pena vender esses barcos --- como também a montagem e venda dos “Starfish” não acrescentara nada, ou quase nada, a meus proventos. Movia-me apenas o prazer de ver todos aqueles veleirinhos com seus panos abertos em nossas águas ubatubanas, organizar regatas e passeios conjuntos a locais próximos. Chegamos a ter regatas muito numerosas, houve uma com cento e quarenta e nove veleiros monotipos cruzando na enseada fronteira ao clube, até hoje um recorde na região. E isso valia todo o esforço. A pequena comissão recebida da Performance pagaria apenas as despesas de transporte dos barcos até Ubatuba, e eu os traria a reboque, aos poucos, pois o frete em caminhão ficaria caro e poderia danificar os cascos e demais implementos.

Assim, desmontei minha antiga carreta, a que transportara os “Starfish” a Ubatuba, e utilizando os mesmos velhos eixos elaborei em madeira outra maior, com possibilidade de receber até quatro barcos em seus “andares”. Com mais outro que viria sobre o carro, buscava otimizar a operação de translado, barateando-a. Mas, se um “Laser” sobre minha pequena WW Brasilia já chamava a atenção dos policiais rodoviários da Rio-Santos, o arrastar aquela carreta monstruosa a reboque com todos aqueles barcos empilhados os fazia engulir o apito a cada vez que passsava num posto de controle.

Era parado várias vezes em cada percurso, sempre havia problemas com os policiais, apesar da documentação perfeita dos dois veículos, o meu carro e a carreta. Numa ocasião retiveram-me por muitas horas num posto rodoviário isolado, numa noite chuvosa, e o diálogo com meus aprisionadores foi tenso, muito tenso, não sou de meias palavras. Quando finalmente me liberaram fiquei com fundado receio de que, mais adiante, num barranco da estrada, fosse atirado montanha abaixo sobre as pedras da costeira. Não vou aqui estender-me contando todos os apuros por que passei nessas viagens, tanto na estrada quanto nas cidades que atravessava, todos os assaltos ou quase-assaltos, mas não é grande exagero afirmar que talvez os perigos que enfrentei foram maiores do que os que toparia se trouxesse os barquinhos velejando de Niterói até Ubatuba. Coisas do Brasil e de brasileiros, que fazer?

Essa tensão nas idas ao Rio e São Gonçalo aliviou-se um pouco quando me ocorreu fazer humor sobre a situação. Mandei pintar duas faixas largas de pano, que prendi a cada lado da alta carreta, com grandes dizeres anunciando: “JÁ FUI FISCALIZADO ...... VEZES”. E a cada viajem corrigia, preenchia pintando à mão o espaço deixado vazio: trinta e sete vezes, depois trinta e oito vezes, trinta e nove vezes, .... sessenta e sete vezes ...

O estratagema funcionou, os policiais achavam graça na coisa, o clima opressivo da fiscalização se quebrava, isso quando havia fiscalização depois das risadas. Fiquei conhecido pelos fardados do pedaço, dava eventualmente carona a eles, e quando um desses caroneiros soube, em conversa jogada fora, que em meu clube criava cães pastores, a informação se espalhou entre seus colegas, aí então não tive mais paz. Melhor dizendo, aí é que as pastoras do clube não tiveram mais paz, tinham que procriar direto, a cada volta do Rio eu trazia uma ou mais encomendas de cachorrinhos a serem presenteados aos novos amigos rodoviários.

Uma lembrança bem agradável guardei dessas viagens a São Gonçalo: o quibebe de gerimum que sempre me aguardava no estaleiro da Performance Sailcraft. Costumava almoçar junto com os funcionários, por oferecimento deles, no próprio local de trabalho. Comida gostosa, simples e gostosa. Aí a cozinheira do estaleiro, gorda e simpática senhora, encantou-se com meu encanto à primeira vez que me foi colocado um prato de quibebe à frente. E não deu outra, a cada viagem ela era informada antecipadamente de minha chegada, e o saudoso quibebe nunca me faltou.

Normalmente saía de Ubatuba pela manhã, num dia útil de meio de semana, e no início da tarde já estava num posto de gasolina da Avenida Brasil, próximo ao início da ponte Rio-Niterói, onde deixava a carreta até a manhã seguinte. Perambular com ela pelo Rio era problemático, e o hotel onde ficava mal oferecia estacionamento para meu pequeno carro. Hospedava-me geralmente no Único, no Flamengo, de poucas estrelinhas mas barato e a apenas uma quadra da praia. Na manhã posterior fechava a conta do hotel, buscava a carreta, atravessava a ponte para Niterói e ia comer meu quibebe em São Gonçalo.

Com a repetição frequente dessas idas ao Rio e à Performance Sailcraft para buscar os “Laser”, e depois também à Trimar, o estaleiro do Jacques Mille e do Mário Besse, de onde passei a trazer os bons veleiros 445 de projeto francês, canoas canadenses e pranchas de Windsurf, veio-me a idéia de manter um veleiro à minha disposição na Marina da Glória. Pensava ficar um dia a mais no Rio a cada viagem, para aproveitá-la melhor divertindo-me um pouco. Dar umas velejadas na bela baía que só conhecera em duas regatas, uma na Escola Naval e outra no Rio Sailing Clube. Talvez comprasse um dos pequenos cabinados de madeira classe “Carioca”, cuja colocação na água não era difícil. Com sorte, poderia achar um barato, e daria até para dormir nele, dispensando o hotel. Eu já tinha um irmão morando no Rio, mas sua residência ficava na Barra da Tijuca, longe de meus interesses. Além disso, apaesar de seu oferecimento constante, não queria incomodá-lo em seu apartamento luxuoso onde não estaria tão à vontade --- apenas almoçei lá umas poucas vezes.

Com esse pensamento, dirigi-me ao escritório da Marina da Glória à busca de informações. Seu diretor de então, um velejador conhecido do qual não recordo com certeza o nome, esclareceu que não havia no momento vagas disponíveis, existia até uma pequena fila de interessados à espera que uma se abrisse. Mais: quando disse que residia em Ubatuba e expliquei meu intento, ele ajuntou que seria dada preferência a quem morasse no Rio. Para mim não seria problema, pensei, podia fazer a reserva em nome do irmão, mas deixei isso para mais tarde, queria avaliar melhor no assunto.

Comecei a me despedir, mas acontece, porém, que sentado ao lado do diretor em sua mesa estava uma figura, uma figura sorridente que me reteve um pouco mais. Talvez um pouco mais novo que eu, foi-me apresentado como Nelson. Pensei de início que fosse um funcionário da marina, mas não, era apenas um amigo do diretor, em visita. Comunicativo, contou que tinha uma escuna sediaada ali no Rio, e quando soube que eu residia em Ubatuba mostrou-se interessado, disse que soubera que o turismo náutico em minha região era desenvolvido, fez perguntas a respeito.

Eu entendia bem do assunto, porque os primeiros barcos que atuaram na região conduzindo turistas pertenciam a amigos meus , e um deles, o primeiro, só entrara no ramo por insistência minha. Desenhei um panorama do tema para o tal Nelson, que entusiasmou-se, perguntou se eu não aceitaria operar sua embarcação em Ubatuba, dividiríamos os lucros. Ora, eu mesmo já estivera a ponto de comprar a maior escuna aqui existente, um belo barco, robusto e semi-novo. O “Tatiana”, vindo de Recife, de vinte e um metros de convés, que me foi oferecido com facilidades tais que apenas com o lucro de operação de dois verões eu o pagaria facilmente. Refugara o tentador oferecimento, por não dispor de tempo para envolver-me nesse negócio, apesar de sabê-lo bastante lucrativo. Dinheiro não era e nunca foi minha principal motivação. E então, se não quisera tocar meu próprio barco de turismo, é evidente que não aceitaria tocar barco alheio.

Mas não o desanimei na sua intenção, disse que buscaria entre pessoas de minha confiança algum interessado em operar seu barco, e ele passou-me seu cartão de visitas, pedindo que eu telefonasse tão logo encontrasse esse alguém.

Nas despedidas, um convite: sabendo que eu estava sozinho e de passagem, sugeriu que jantássemos juntos. Combinei encontrá-lo em seu apartamento no início da noite. Ficava numa travessa junto à avenida Nossa Sra. de Copacabana, paralela à praia. Quando subi no elevador, ele disse que estava aguardando a visita de uma pessoa, um conhecido, perguntou se eu não me incomodaria de esperar um tanto. Era ainda cedo para comermos, e seria até bom que o jantar saísse mais tarde, pois depois dele o anfitrião se propunha a me mostrar o que chamou de “a noite carioca”, e a noite carioca começa tarde, informou. Por deferência a ele não recusei a esticada proposta, apesar de enfatizar que não deveria dormir muito tarde, pois o dia seguinte seria trabalhoso e eu pretendia começar a viagem de volta a Ubatuba antes de escurecer.

Lá pelas tantas, tocou a campaínha do apartamento e um cidadão com aspecto meio que de alemão foi-me apresentado. Seu nome era Alexandre Von Baumgarten, era o visitante aguardado. Conversa mena sobre generalidades, o Nelson falou-lhe a meu respeito, e ele identificou-se como proprietário da revista “O Cruzeiro”. Eu nem sabia que sobrevivia aquele antigo e conhecido semanário, em cujos bons tempos pertencera ao senador Assis Chateaubriand e integrara o grupo editorial Diários Associados, como seu carro-chefe. O recém-chegado comentou uma coincidência, disse que pretendia fazer brevemente contacto com a prefeitura de Ubatuba, para oferecer uma reportagem promocional em sua revista.

Foi quando ajuntei que a coincidência era ainda maior, pois eu ocupava o cargo de Secretário de Turismo do município. Mas logo tirei-lhe a esperança de um acordo fácil: nossa prefeitura não tinha dinheiro para promoções na mídia, apenas uns trocados foram reservados em meu orçamento para pagar mensagens nos jornais locais no dia do aniversário da cidade e no Natal. Nada mais. Mas havia a possibilidade de custeio da reportagem pelo comércio hoteleiro, eu verificaria isso e lhe daria um retorno por telefone.

Depois de tratar com o Nelson o assunto que o trouxera, quando me manti adequadamente afastado, o cidadão despediu-se, maneiroso, e nós também depois de alguns minutos descemos ao térreo. Deixei meu carro no estacionamento do prédio, e fomos no do Nelson até o restaurante La Fiorentina, no Leme, bastante conhecido e frequentado. Jantamos, e bem jantados começou a via sacra que o Nelson me prometera.

Eu não era na ocasião, e não sou agora, pessoa especialmente interessada na chamada vida noturna. Apenas na mocidade e solteirice, muitos anos antes e por curto tempo, frequentara a noite paulistana, madrugava diariamente nos estabelecimentos noturnos da moda, graças às preferências e insistências de uma namorada da ocasião. Tirando esse período, apenas uma eventual, rara chegada a um restaurante dançante ou a um espetáculo teatral. Nada mais. Nem tinha dinheiro para gastar nisso. Meus hábitos sempre foram simples, e quando não trabalhei no período noturno também não perdi minhas noites em mesa de inferninhos.

Mas não posso dizer que a faceta da noite carioca apresentada por meu anfitrião pecou pela monotonia. Foi divertida, sim. E, fato estranho, logo no primeiro local em que paramos, notei uma deferência exagerada com que ele era tratado. O gerente em pessoa nos conduziu a uma mesa de pista especialmente montada na hora, serviu-nos bebidas como oferta da casa, recomendou ficarmos até o primeiro show, que começaria logo. Havia uma boa cantora, valia a pena esperar.

Saímos meia hora depois, meu cicerone não pagou nada, apenas agradeceu, e o gerente parecia agradecer mais ainda a sua presença. Fomos a outra boite, e depois a outra, e outra, e outras mais. Creio que percorremos todo o ciclo das casas noturnas existentes na orla depois do túnel de Botafogo e até a Barra. Mas em todas elas, não importa sua variedade, notei maitres e gerentes solícitos em demasia, e cansei de perceber olhares curiosos estirados em nossa direção e outros observando-nos respeitosamente de soslaio, de ouvir cantores e cantoras que pareciam cantar só para o Nelson. E sempre o mesmo, ficavamos meia hora, três quartos de hora, uns goles de bebida, mordiscávamos algo, mas nenhuma conta apresentada à saída, só agradecimentos obsequiosos da gerência pela nossa visita.

Quando, por iniciativa minha, e já quase clareando o dia, foi interrompido finalmente esse desfile a que o Nelson me conduzia --- aleguei cansaço depois da viagem longa e lembrei-lhe novamente meus compromissos da manhã seguinte --- ao voltarmos ao prédio em que residia ele ainda me levou a umas portas meio escondidas ao fundo do beco, uma reentrância onde eu estacionara. Pediu-me apenas mais essa visita, essa seria o fecho, a chave de ouro. E, num certo sentido, foi.

Era um pequeno e enfumaçado ambiente, o teto baixo, todos os presentes esquisitamente de pé, em volta de uma pequena pista central. Não dava para perceber o que estavam olhando tão fixamente, aproximei-me e espiei por sobre seus ombros. No chão, sobre um tapete felpudo, desenrolava-se o show da noite. Deitados no piso, ora um sobre o outro, ora outro sobre um, os artistas do espetáculo. Um rapaz esguio mas bem dotado no setor, e uma mulher muito bem torneada, cada um de côr de pele marcadamente diferente, marcadamente oposta., ambos completamente nus, praticavam sexo. Sexo explícito, muito bem explícito, todas as variações da prática do sexo, ao som de uma música voluptuosa e diante da assistência silenciosa, atenta, que os cercava a pouco mais que metro.

Fiquei estatelado, chocado. Não sou hipócrita, até que fiz lá minhas coisas, e as fiz bem e numerosas. Mas não estava acostumado a esse grau de exposição pública da intimidade do sexo. Sempre o preferi íntimo, bem íntimo. E jamais acreditaria, naqueles tempos de moral pouco permissiva, que um tal “show” fosse tolerado pela polícia. Formalmente não era, soube. Mas eles existiam em locais meio escondidos, eram discretamente ignorados pela autoridade, decerto corria algum para fechar seus olhos. Representavam muito como chamariz para turistas deslumbrados, que voltavam depois a suas terras de origem como arautos gratuitos das misteriosas atrações da cidade maravilhosa.

Depois de me livrar de uma morena, até que bonita morena, uma pecadora profissional que sussurava-me ao ouvido que podia fazer ainda melhor que os “artistas”, despedi-me finalmente do Nelson e fui ao hotel dormir. Na manhã seguinte, poucas horas depois, levantei da cama com dificuldade quando o pessoal da portaria telefonou para despertar-me, como pedido. A bebida que não consegui, por educação, evitar tomar em cada um de todos aqueles locais visitado na noite anterior, fizera seu efeito. Acordei cansado, as pálpebras pesadas demoraram a descolar, e meio zonzo. O embarque dos veleiros em São Gonçalo e a longa viajem de volta foram um suplicio, várias vezes pensei em encostar em alguma pousada do caminho e voltar a dormir. Mas cheguei são e salvo à minha terra de adoção.

Aquele projeto de manter um barco na Marina da Glória, que me levou a conhecer ocasionalmente os dois curiosos personagens, foi repensado ainda na viajem de volta, e decidi esquecer a coisa toda, estava mais complicada do que previra. E, retornado a Ubatuba, nos próximos dias comentei o oferecimento do tal Von Baumgarten com o meu prefeito, e a resposta foi a esperada. Não havia dinheiro, eu que me arranjasse com o comércio.

Procurei então contactar os principais hoteleiros da cidade, e mesmo alguns proprietários de restaurantes mais frequentados e caros. Como eu antecipara, uma eventual reportagem na revista do Von Baumgarten sobre os atrativos turísticos da cidade, a ser paga por eles, não despertou muito entusiasmo, mesmo eu afirmando que, além do retorno institucional, seus próprios estabelecimentos poderiam ser divulgados a preço mais baixo e suportavel.

A revista “O Cruzeiro”, àquela época, já não era mais nem sombra do que tinha sido anos antes, ficara parada no tempo e sua importância fora ofuscada pelo aparecimento de outros semanários com matérias mais atraentes e apresentação moderna. E assim nossos hoteleiros acharam que o investimento não compensaria. Além do que, estando já muito distantes os dias do último verão turístico, aqueles dois exiguos meses em que o comércio local conseguia arrecadar o suficiente para pagar dívidas atrazadas, e distante também o próximo período de festas de fim de ano e as sequentes férias escolares, não havia em suas contas bancárias dinheiro para investir em coisa menos palpável que a própria sobrevivência imediata.

Enfim, aqueles primeiros entendimentos com o cidadão não frutificaram. Para não dizer de chofre que nada havia conseguido, passei-lhe os telefones dos hoteleiros contactados, a fim de que ele próprio fizesse diretamente sua proposta, mas creio que nem chegou a usá-los.

Ouviria, mais adiante, notícias sobre ele, e notícias que me surpreenderam. Levei um susto quando, sentado na sala certa noite a ver os jornais televisivos, soube de seu assassinato. Com o tempo, viria a conhecer alguma coisa mais sobre sua história. Consta que era agente da comunidade militar de informações, e sua revista seria utilizada pelo SNI, que discretamente a manteria. Sua morte, a de sua mulher, e a do barqueiro que os levava a uma pescaria na Guanabara, causou muito impacto na mídia noticiosa, teria sido uma queima de arquivo determinada por gente poderosa do regime vigente. Muito se especulou e se especula ainda sobre o fato, até hoje nebuloso, envolto em mistério.

Quanto ao Nelson, ele telefonou-me dias depois, e disse que a vinda de sua escuna para trabalhar em Ubatuba estava dependendo apenas da solução de alguns problemas. Mantivemos esse contacto por pouco tempo, e isso também deu em nada. Acho que ele avaliou mais friamente a complexidade de manter sua embarcação operando assim tão longe, e optou por deixá-lo no Rio mesmo.

Mas eu entenderia logo o porque de tantas mesuras e rapapés nos locais que ele me levou a visitar naquele entrevero noturno diferente. Ao olhar o cartão de visitas que me passara quando o conhecera na Marina da Glória, li distraído seu nome, Nelson Cândido da Motta Filho. Porém não o liguei de imediato ao personagem conhecido das rodas artísticas e mundanas. Descobriria isso em meu retorno.

Vejo-o de vez em quando na TV, em quadros culturais que dirige na Rede Globo, e ainda quando ele próprio é entrevistado sobre alguma de suas bem sucedidas atividades de escritor, empresário musical, jornalista, letrista, compositor. E a cada vez a figura simpática e bem-humorada do Nelson Motta me faz lembrar o anfitrião pressuroso que certa ocasião, num tempo já distante, guiou este matuto meio moralista nos atrativos e segredos espantosos da noite carioca.


Autorizado pelo Magalhães (Maga)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

DOS ALPES A SERRA DO MAR Por Sensei Aldo Lubes

DOS ALPES A SERRA DO MAR

Atendendo ao pedido do Sr. Edson Capinski, Diretor Administrativo da Federação Paranaense de Karatê, da qual sou Presidente, estou fazendo um relato de minha vida desde que cheguei ao Brasil. Na verdade, o pedido foi feito pelo Sr. Guy Sahry, faixa preta de karatê shotokan, com o qual nós e filiados de nossa Federação tivemos a oportunidade de fazer um intercambio técnico de karatê no ano de 2007, aqui em Curitiba, capital do Estado do Paraná. O curso foi muito bom, visto a capacidade técnica e didática do Professor Guy, que é francês e atualmente vive em Paris.

Não sei dizer se este relato poderá ajudar em alguma coisa, além de que nunca me passou pela cabeça fazer uma auto-biografia, naturalmente, meu relato estará de acordo com o questionário que me foi apresentado e também no que diz respeito a minha vida dentro das artes marciais; primeiro o Judô e depois o Karatê. Talvez eu me torne um pouco monótono e repetitivo, desculpem-me, pois não sou escritor. No entanto, tentarei ser o mais claro e objetivo possível.

O meu nome completo é Lubes Lamarca Aldo Nicola Michele (o Lamarca é sobrenome de minha mãe). Aqui, sou conhecido como Aldo Lubes. Nascido no dia 09 de maio de 1939 em Turim (Torino), em uma cidade ao norte da Itália, capital do Piemonte (aos Pés dos montes); os Alpes. Meu pai se chamava Giuseppe Lubes e minha mãe Rosa Lamarca. Alguns meses após meu nascimento iniciou-se a segunda guerra mundial, fato que influenciou muito em minha formação, pois minha infância e desenvolvimento ocorreram neste período.

DOS ALPES A SERRA DO MAR

Questionário:

1 – O Senhor sente saudades da Itália, dos costumes, do povo?

Neste ano de 2008 (janeiro), faz 50 anos que cheguei ao Brasil. Voltei à Itália para rever os meus familiares cinco (5) vezes, mais precisamente em 1972, 1982, l984, 1990 e 1994 e sempre fiquei na casa da minha irmã, juntamente com a nossa mãe e meu irmão mais velho. Minha mãe e meu irmão já são falecidos, mas ainda tenho minha irmã que continua morando em Torino e alguns sobrinhos e tios. Mesmo depois de cinqüenta anos sinto saudades da Itália, principalmente do lugar onde nasci; dos meus parentes e principalmente da minha irmã, cujo nome é Itália. Quanto aos costumes italianos, eles são muito bom por causa das tradições de cada região, tradições estas seculares, e o povo se comporta conforme suas tradições. Creio que deve ser assim também na França e em qualquer outro lugar do mundo. Lembro de um ditado italiano que diz: ”País que você vai, costumes que você encontra”, e a eles deve se adaptar e é o que fiz aqui no Brasil. Mas, a Itália está sempre em meu coração.

2 – Como foi chegar ao Brasil depois da Segunda Guerra Mundial? Houveram muitas dificuldades? Quais?

Cheguei ao Brasil no fim de janeiro de 1958, em pleno verão, na cidade do Rio de Janeiro. Tinha embarcado em um navio chamado Andréa Costa que saiu do porto de Genova. Nesse período estava muito frio em Torino em decorrência das nevascas que haviam acontecido alguns dias antes. Lembro que era madrugada e fomos a pé até a estação para pegar o trem que me levaria para a cidade de Genova, quem me acompanhava era minha mãe, meu irmão e minha irmã. O nevoeiro era muito intenso e a visão não alcançava além de 4 ou 5 metros, mas chegamos na estação no horário. Quando chegamos em Genova, eu me encontrava muito tranqüilo, afinal, tinham me dito que ficaria somente um ano no Brasil para ajudar o filho do marido da minha mãe e aqui devo fazer um esclarecimento. Meu pai faleceu em um bombardeio aéreo em 1940 quando eu tinha um ano de idade, deixando minha mãe viúva e com três filhos, Nicolino com 14 anos, Itália com 10 e eu com um ano de idade. Todo europeu que viveu durante o conflito da Segunda Guerra Mundial pode imaginar as dificuldades que minha mãe e meus irmãos passaram para sobreviver a guerra. Eu creio que não senti muito, pois era muito pequeno e eles faziam de tudo para que nada me faltasse. Além de que, não tinha nenhuma outra experiência de vida e achava que a guerra era o dia a dia do mundo; as dificulades eram fatos normais e eu aceitava tudo de bom grado. Em 1948 minha mãe casou-se com um primo dela, originário da mesma cidade dela, também viúvo e com três filhos. Foram aí que as coisas começaram a se complicar, pois a família aumentou e o meu padrasto achava que todos deveriam contribuir para ganhar o pão de cada dia. Assim, aos 10 anos de idade comecei a trabalhar como ajudante de qualquer coisa que aparecesse (oficinas mecânicas, carpintaria, bares, restaurantes, etc.). Enquanto isso, os anos passaram, meu irmão casou, minha irmã também e assim as filhas do meu padrasto. O filho de meu padrasto tinha emigrado para o Brasil já fazia alguns anos, e juntamente com outro italiano, tinha aberto um bar noturno no Rio de Janeiro, no bairro de Copacabana. De repente, eu estava sozinho morando com a minha mãe e o seu marido. Então, meu padrasto me convenceu a ir para o Brasil para ajudar o seu filho, e lá eu deveria permanecer um ano e voltaria para a Itália. Desta forma, vim para o Brasil, mas as coisas não eram bem assim, pois o filho de meu padrasto não era como eu imaginava e não precisava de minha ajuda. De fato que, tudo não passou de um acordo entre ele e seu pai para eu sair de casa, pois tinha me tornado um peso. Ele também não estava a fim de se responsabilizar por mim, e então tive de me virar sozinho encontrando trabalho em um restaurante como ajudante de doze garçons. Passado seis meses, encontrei o filho do meu padrasto em uma Rua de Copacabana; ele me perguntou como estava. Disse-lhe que estava muito bem, trabalhando e morando num quartinho de empregada em uma casa de família, e que logo, economizando, devolveria o dinheiro que tinha gasto para pagar a minha passagem. Ele me respondeu que afinal eu estava tranqüilo porque eu sabia que se me acontecesse alguma coisa, ele, como responsável de minha vinda ao Brasil, deveria resolver. Para não criar-lhe nenhum tipo de responsabilidade, fiz a minha mala e me mudei para a cidade de São Paulo sem conhecer ninguém e sem falar o idioma Português, mas aí a estória é outra, além de que há muitas coisas para contar. Enfim, esse foi o motivo pelo qual vim para o Brasil.

Em 1972, depois de 14 anos, voltei à Itália. O marido de minha mãe tinha falecido e minha irmã me escreveu que somente o meu retorno poderia fazer com que ela se recuperasse da decepção do matrimônio e da perda do marido, que no testamento lhe deixou como usufruto o pequeno apartamento que tinham adquirido com a herança que minha mãe tinha recebido na morte da mãe dela (minha avô) e na morte dela seria dividido com os filhos dele. Isso deixou minha mãe transtornada e decepcionada.

Fiquei três meses na Itália morando com a minha mãe e quando vi que ela tinha se recuperado retornei para o Brasil. Na Itália não tinha mais espaço para mim; encontrei alguns amigos, mas todos já estavam estabelecidos e outros tinham se mudado. A rua onde tinha passado a minha infância brincando com os meus amigos tinha mudado; haviam asfaltado, pois antes era de pedra polida e também havia prédios que não existiam na época. O choque foi muito grande visto que eu não havia acompanhado estas mudanças, e nas minhas lembranças tudo era imutável. Quando vi aquilo a decepção foi muito grande. No Brasil eu já tinha construído alguma coisa, como o Dojô que abri em l965, e que tinha deixado arrendado, filhos e muitos amigos que tinha feito através do Judô e Karatê.

3 – As Artes Marciais lhe ajudaram em superar as dificuldades?

As artes marciais me ajudaram muito e, como disse anteriormente, as dificuldades nunca foram problemas para mim, mas somente desafios que eu tinha que superar, afinal, só podia contar comigo mesmo. Ao retornar ao Brasil me dediquei aos estudos e conclui o curso de Educação Física. As minhas participações nos campeonatos foi um fator positivo que me fortaleceu, além de que, aprendi a me conhecer melhor, mantendo mais serenidade, tendo paciência nas derrotas e humildade nas vitórias. A relatividade das derrotas e vitórias me manteve sempre lúcido, coerente e inteiro.

4 – Como foi em 1964 seu relacionamento com Minoru Kamada?

Quando era garoto sempre tive muita disposição para as lutas, meu tio (zio Michele), irmão da minha mãe, era sócio do Partido Comunista Italiano, que tinha um centro esportivo. Ele me levava para participar dos treinamentos de boxe e da luta japonesa, que assim se chamava naquela época. Naquela época, eu devia ter mais ou menos de 13 para 14 anos e gostava muito de ir lá. Quando cheguei ao Brasil, não encontrei nenhum centro esportivo público, só havia clubes sociais e para ser sócio tinha que ter uma renda considerável além de que devia ser indicado por outro sócio. Nessa época eu estava morando em São Paulo e trabalhava em um restaurante italiano como garçom. Um colega de trabalho me levou em uma academia de judô, me matriculei e continuei os treinamentos nesta arte. Em 1960 vim para Curitiba como gerente de um restaurante italiano. Queria continuar com os meus treinamentos de Judô e então conheci o Sensei Minoru Kamada, 7º. dan de judô do Instituto Kodokan de Tokyo. Além do judô, o Sensei conhecia várias outras artes marciais japonesas. Sensei Kamada havia chegado ao Brasil mais ou menos no mesmo período em que eu e tinha muita dificuldade com o português. Eu, no entanto, tinha um pouco menos por tratar-se de uma língua latina, mas assim mesmo não conseguia me expressar corretamente.

O Dojô de sensei Kamada era freqüentado por muitos alunos de origem japonesa e me parecia haver certa disposição por parte deles em lutar comigo, como se eles quisessem ver se eu agüentava as surras que me davam para que eu desistisse de treinar, pois todos eram veteranos e graduados faixas pretas do nidan ao sandan. Quando o Kamada sensei foi contratado para ministrar aulas neste Dojô eles já eram os instrutores. Mas, isso foi muito bom para mim, afinal, não seria por causa de algumas quedas que eu iria desistir, pelo contrário, aquilo era como um desafio e me fortalecia cada vez mais. Sensei Kamada simpatizou comigo pelo meu empenho, talvez tenha sido também por ser novo no Brasil e por termos passado, e ainda passávamos pelas mesmas dificuldades de adaptação. Como meus horários no restaurante não condiziam com os horários noturnos do Dojô, eu ia de tarde e encontrava o sensei muitas vezes sozinho. Ele ficava me explicando a divisão do judô até o Atemiwaza e me dizia que nesta técnica deveria aprender um pouco de Karatê. Um sábado à tarde, dia que encontrava todos os judocas veteranos, o meu judô funcionou; as centenas de uchikomi que tinha feito sob a orientação do sensei deram resultado. E assim, convivemos junto por quatro (4) anos; melhorando o nosso português e nos entendendo melhor. O Sensei tinha servido como oficial na 2ª. Guerra Mundial, precisamente na Manchúria e em uma conversa de Bar eu lhe disse que não tinha conhecido meu pai, pois tinha morrido em um bombardeiro aéreo sobre a cidade de Torino, mas se o tivesse conhecido gostaria que fosse como ele. Em 1964 ia acontecer as Olimpíadas de Tokyo e o Judô se apresentaria como esporte olímpico, então, Sensei Kamada resolveu voltar para o Japão para ver o Judô nos jogos e também porque as coisas não estavam muito bem financeiramente para ele aqui, além de que, tinha saudades da família. No último dia de treino, ao terminar a aula, Sensei Kamada, após a saudação tradicional, pediu a todos os alunos que aguardassem em Zarei e foi trocar de roupa; ao retornar, veio com o seu kimono (judogui) dobrado e disse alguma coisa em japonês para os meus colegas nisseis que anuirão com a cabeça e emitiram vários AI,AI,AI, que significava SIM em japonês, então me chamou e me deu o seu kimono, fiquei surpreso e comovido e ao mesmo tempo orgulhoso, mais de que quando tinha conquistado o meu primeiro dan de faixa preta. Com a partida do Sensei o dojô fechou e ficamos sem lugar para treinar, o kimono que eu tinha recebido estava pendurado no armário e quando olhava para ele, parecia que era o Sensei me olhando e me incitando a usá-lo. Até que tomei a decisão de abrir um Dojô e convidei dois SEMPAI meus para serem os professores, pois a minha graduação era muito pequena (SHODAN), eles eram SANDAN e tinham sido alunos do Kamada Sensei, e assim, em junho de 1965 inauguramos o Dojô Kodokan em homenagem ao Sensei Minoru Kamada. O kimono que me foi dado pelo Sensei usei por muitos anos, mas, quando cheguei ao 4º. dan não tinha mais condições de ser usado de tantos remendos feitos nos rasgos que aconteciam nos treinamentos e nas competições. Então, o encostei e hoje se encontra pendurado na sala do meu Dojô, uma relíquia viva da presença do Sensei Kamada.

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5 – E Juichi Sagara, seu professor por quase 20 anos, o que ele mais marcou no Senhor?

Um mês após ter aberto o Dojô Kodokan conheci um rapaz que vinha de São Paulo e estava cursando medicina na Universidade Federal do Paraná, era faixa marrom de karatê Shotokan e tinha sido aluno de um professor japonês que ficou aqui no Brasil por algum tempo e depois foi para a Inglaterra, o nome dele era HARADA (aluno de Hiroshi Noguchi). Assim, abrimos uma seção de Karatê no Dojô, orientada pelo Celso Charuri, era este o nome do faixa marrom. O meu interesse principal era aperfeiçoar as técnicas de atemi waza do judô. Celso era muito bom, mas, por ser faixa marrom, não podia graduar ninguém, o que para mim não tinha importância. O Kihon era muito duro e extenuante e por quatro anos fiquei treinando com o Celso e sempre usando a faixa branca, até que o Celso concluiu o curso de medicina e retornou para São Paulo. Em um campeonato de judô, realizado em Curitiba em 1969, em que eu participei como ”civil contra as forcas armadas”, conheci o Sensei Juichi Sagara, que tinha vindo neste campeonato para fazer uma demonstração de Karatê, juntamente com a equipe dele. Após o campeonato lhe pedi para ser seu aluno. Visto isso, me fez fazer uma prova com a sua equipe, a qual ficou satisfeita e fui aprovado da faixa braça para faixa marrom. Em 1970, fui a São Paulo para assistir o 1º. Campeonato Paulista de Karatê, a categoria era Open Shobu Ippon. Eu tinha ido para assistir, pois nos sabia o regulamento, mas um dos assistentes do Sensei Sagara me desafiou, dizendo que se eu era faixa marrom, deveria participar. Então, deram-me um kimono. Olhando as primeiras lutas, percebi que os árbitros, todos japoneses, eram muito condescendentes com as faltas cometidas pelos atletas, não se usava nenhuma proteção e o toque de mão ou de pé não era moderado, pelo contrário. Hoje em dia, com o regulamento da (Federação Mundial de Karatê) W.K.F., todos os atletas daquele evento e eu incluso, e também de todos os outros campeonatos que participei, seríamos desclassificados. O regulamento que usavam era da I.A.K.F., que era integrado somente por professores do estilo Shoto-kan, e eu dancei conforme a música. Naquele dia, fui vice-campeão em kumitê e também vice em kata. Sagara sensei ficou satisfeito, pois tinha participado pelo seu Dojô, e desta forma, começou a minha caminhada no karatê-dô. A cada quinze (15) dias ia a São Paulo, viajando de noite e chegando de manhã (Curitiba –São Paulo, mais ou menos 400 km.), treinava o dia inteiro; levava comigo dois kimonos, pois suava demais e precisava trocá-lo; a noite, exausto e com os kimonos ensopados de suor, voltava à Curitiba. O meu relacionamento com o Sagara Sensei era muito bom; ele era uma pessoa muito boa e compreensiva e sempre me acolheu na sua casa, tratando-me como um hóspede. O nosso relacionamento se prolongou por quase 20 anos. Depois, as minhas atividades administrativas me obrigaram a me afastar da convivência com ele, pois tinham me convidado para ser o Diretor Técnico da Confederação Brasileira de Karatê, e para que não houvesse comentários de preferência devido a rivalidade que havia entre os estilos de Karatê. Parei de ir treinar no seu Dojô e a nossa amizade esfriou um pouco, mas sempre mantivemos uma atitude de respeito um com o outro.

6 – O Senhor foi Diretor Técnico da Confederação Brasileira de Karatê (C.B.K.) durante muitos anos. Quando ocupava este posto, qual foi sua maior prioridade em relação ao Karatê do Brasil?

Aqui no Brasil, por causa da grande imigração japonesa, o intercâmbio técnico cultural do karatê ocorreu graças a intervenção da ligação dos emigrantes praticantes de karatê com o seu pais de origem, isso oconteceu com todos os estilos aqui praticados. No passado houve um grande vai e vem de professores japoneses de vários estilos vir ao Brasil ministrar cursos de karatê. Eu, por ser doutrinado dentro do estilo Shotokan, só participava dos cursos ministrados por professores desse estilo, tais como: Nakayama, Kanazawa, Assai, Okazaki, Yahara, Ossaka, Yokomichi e tantos outros, cursos muito válidos na ótica do karatê marcial, mas a minha visão ampliou quando fui para a Itália e tive a oportunidade de treinar, como visitante, no Dojô do professor Shirai em Milão e em um Dojô de Turim que freqüentava sempre que ia para a Itália, cujo nome era Doju-kay, onde tive a oportunidade de conhecer atletas de karate muito bons. Sempre que tinha possibilidades voltava à Itália para rever meus familiares e levava comigo o kimono para treinar. Isso acontecia mais ou menos a cada 4 anos. No Dojô Doju-kay os professores que eu encontrava eram sempre diferentes, mas todos com uma bagagem técnica muito boa e similar. Lembro os nomes dos instrutores da Doju-kai, professores como Fassoni que ouvi dizer, mas não tenho certeza, faleceu em um acidente automobilístico, Nieddu, Zava, que na época fizeram parte da seleção italiana. Recordo que o último treino foi com os professores, Napolitano e Rizzoli. Tais treinamentos foram bom suporte para a minha aprendizagem do karatê. Todos com uma escola de karatê semelhante, mas com o estilo pessoal distinto, o que não ocorre aqui no Brasil, em que predomina o talento pessoal e não há uma escola comum a todos.

A vinda ao Brasil para ministrar cursos de karatê do professor Antonio Oliva (Espanha) e professor Rafael Ortega (França), deu uma clareada sobre a visão do Karatê Esportivo Internacional, mas isto foi muito pouco, e não se deu o devido valor aos cursos ministrados, especialmente pelos atletas, que já tinham participado de eventos internacionais, dizendo que o que tinha sido ministrado era já do conhecimento deles. Não entenderam que os professores Oliva e Ortega só indicaram o caminho e que nos tínhamos que fazer este caminho trilhando-o. Os cursos tiveram um desenvolvimento bom no inicio, mas depois, retornou-se a seguir a escola dos sucessos individuais locais, que não é uma escola padrão. Essa é a minha opinião!

Em 1983 esteve aqui no Brasil o Professor Takagi, que era o secretário geral da W.U.K.O.; ainda não existia a Confederação Brasileira de Karatê e o karatê era um Departamento Especial da Confederação Brasileira de Pugilismo, que por ser a mais antiga Confederação de lutas do Brasil reunia todas as Artes de lutas e todas deviam se afiliar a ela até conseguirem a emancipação se assim o quisessem e que aconteceu com o Karatê em 1987. Mas, retornando ao Professor Takagi, um grande professor que foi aluno do professor Funakoshi, e professor do Nishiyama e Nakayama, expoentes do karatê Shotokan. A Confederação de Pugilismo marcou uma reunião em São Paulo com todos os professores representantes dos estilos de karatê praticados aqui no Brasil e com os dirigentes das Federações a ela filiadas, eu estava presente como presidente da Federação do Paraná. O professor Takagi pediu que o Brasil se desfilasse da I.A.K.F. e fizesse a sua filiação a W.U.K.O, para dar força ao trabalho de uma organização que fundaria a Federação Mundial, sendo que o Brasil participaria de Campeonatos Internacionais por ela organizados, e isto fortaleceria o pedido feito ao C.O.I. de participar como esporte Olímpico. Lembro que perguntei se nós podíamos estar filados com as duas organizações, mas ele foi categórico dizendo que tanto Nishiyama quanto Nakayama eram contrários ao ingresso do karatê como esporte olímpico e nós tínhamos de escolher um ou outro. A maioria escolheu a W.U.K.O. e assim ocorreu o desligamento da I.A.K.F e O Brasil começou a participar nos Campeonato Internacionais organizados pela W.U.K.O. Eu tinha ido para a Itália em 1982 e estava mais ou menos ao par da situação do karatê fora do Brasil, coisa que os nossos professores não divulgavam. Em 1986 fui ao Rio de Janeiro onde se encontrava a sede da Confederação Brasileira de Pugilismo e pedi para realizar o Campeonato Brasileiro de Karatê e um Torneio Nacional em homenagem a um grande professor do estado da Bahia, falecido prematuramente em um acidente automobilístico, professor Denílson Caribe e utilizando o novo regulamento que era agora shobu-sanbon. O Torneio era aberto e participou um número muito grande de atletas vindo de todas as partes do Brasil. Os atletas foram divididos em três categorias e isto serviu também como seletiva para os atletas brasileiros participarem do Campeonato Mundial que se realizaria na Austrália. Naquele dia, 15 de agosto de 1986, Curitiba foi a capital do Karatê Nacional, utilizando o novo regulamento de arbitragem. O senhor Fauzi Abdala João, que se tornaria o vice-presidente da C.B.K. e que já era um esperto articulador político, na época era vice-presidente da Confederação de Pugilismo e ambicionava ser o presidente da futura Confederação Brasileira de Karatê, mas eu na época não percebia isso, também porque o meu interesse era o esporte karatê. Foi uma boa lição para mim para discernir quem estava realmente interessado no desenvolvimento do karatê de forma educativa e esportiva e quem estava interessado mais em um negócio de aproveitamento pessoal e regional. Nessa época, o senhor Edgar hoje presidente da C.B.K., ainda não existia, mas estava já de tocaia, esperando para dar o bote. Lembro que naquele dia os representantes do estilo Wadô-Ryu queriam que o filho do Mestre Otsuka, que estava no Brasil para dar cursos, pudesse se apresentar e dar uma demonstração de karatê Wadô, aproveitando-se do grande número de participante e público para fazerem a divulgação do Karatê deles (propaganda);não permiti por achar que aquele não era o momento, pois estávamos trabalhando pela união de todo o karatê e não a evidência de um único estilo em um Campeonato Nacional. Esta minha atitude me criou alguns problemas de relacionamento com estes professores, mas nada que pudesse mudar o meu ponto de vista. Com a realização deste campeonato e o seu sucesso começaram as articulações para fundar a C.BK. e em 1987 se fundou a diretoria provisória da Confederação Brasileira de Karatê e que deveria trabalhar para a fundação definitiva da entidade. Eu fazia parte da diretoria provisória como tesoureiro (sem finanças), e o Fauzi como presidente. Quando da eleição definitiva, concorreu o Fauzi e o Marcelo Arantes, um médico de Belo-Horizonte/Minas Gerais, praticante de karatê Goju-Ryu. A votação foi aberta e o Marcelo Arantes ganhou com a diferença de um voto, o meu voto que foi decisivo, pois fui o último a votar. Acredito que o Fauzi nunca esqueceu disto. Passado quatro (4) anos e esgotado o mandato do senhor Marcelo Arantes, primeiro presidente da C.B.K., houve uma nova eleição, em que o Senhor Edgar Ferraz de Oliveira, da Bahia e o Senhor Fauzi Abdala João, também da Bahia eram candidatos. Pela insistência de um ex-dirigente da Federação Paulista, aceitei em fazer chapa com os dois no cargo de Diretor Técnico, digo insistência porque eu não queria e indiquei outra pessoa, pois não gostava muito dos candidatos pelas atitudes arrogantes e sem humildade que tinham, mas as insistências foram tantas que acabei aceitando. Nas poucas vezes que tinha encontrado o Senhor Edgar, ele como presidente da Federação Paulista e eu como presidente da Federação Paranaense, nos campeonatos que participavam as nossas entidades, já tinha notado que era uma pessoa com um discurso levado mais para os negócios e não tanto para o esporte, e depois, havia muitos comentários sobre as noitadas etílicas que ele fazia, e isso não era do meu agrado. Mas, no fundo eu não o conhecia muito e não queria fazer idéias preconcebidas a seu respeito. Agora, com o Senhor Fauzi devia ter cuidado, sabia do rancor e espírito vingativo que o seu coração cultivava. O Fauzi nunca praticou karatê, a Federação Bahiana, da qual foi o fundador, como homenagem, o graduaram com o 8º. dan de karatê, sem nunca ter treinado karatê na vida, também atleticamente não tinha condições de praticar nenhum tipo de esporte, mas gostava de se envolver politicamente com as artes marciais. Lembro-me que uma vez me disse, dando risada, “eu nunca treinei karatê, mas mando no karatê brasileiro com a minha caneta”. Por causa das insistências dos meus amigos que diziam que a minha presença seria um ponto de equilíbrio na balança, acabei aceitando em trabalhar com os dois. A dupla Edgar e Fauzi foi eleita e eu os acompanhei como Diretor Técnico. A minha primeira iniciativa foi sugerir uma seletiva para formar a seleção brasileira e que deveria ser aberta para todo o Brasil, visto um Campeonato Sul-Americano que iria ser realizado no Brasil, exatamente em São Paulo. Muitos atletas de várias regiões do Brasil compareceram a seletiva que foi marcada em uma cidade do interior de Minas Gerais (São Lourenço), uma pequena cidade de difícil acesso para o resto do Brasil, mas, assim mesmo, compareceu um enorme número de candidatos, viajando até dias para estarem presentes ao encontro. Mas, o conselho de treinadores, viciados em escolher os atletas que eles achavam que tinham as melhores condições técnicas e, contrários em realizar a seletiva com medo de que os seus pupilos não fossem escolhidos, boicotaram a seletiva dizendo que se não se formasse a seleção com os atletas por eles indicados não participariam do Sul-Americano. Era o primeiro evento em que o Senhor Edgar, como presidente da Confederação, estaria realizando a nível Internacional, com isso, ele se assustou e pensando que sem o apoio dos técnicos o Brasil não venceria a competição, o que seria ruim para a sua imagem e contrariando o meu ponto de vista, que era favorável a realização da seletiva em vista do grande número de candidatos que tinham comparecido e em respeito a eles, pois eu achava que devíamos realizar sem medo da chantagem dos técnicos. No entanto, com uma atitude covarde o Senhor Edgar concordou com os técnicos e a seletiva não se realizou. Muitos achavam que eu iria desistir de ser o Diretor Técnico por causa daquele entrave, mas não, aquilo foi o ponto que me deu esclarecimento da necessidade de continuar para colaborar com a justiça dentro do karatê e tentar mudar aquele tipo de atitude. Em 1992 resolvemos fazer um encontro chamado “Torneio dos Campeões Master” que se realizou na cidade de São Paulo e era exclusivo para atletas que tivessem sido campeões nos seus estados e tivessem mais de 35 anos. Os estados que participaram foram: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Brasília e Paraná, utilizando o regulamento da I.A.K.F. no shobu ippon e W.U.K.O. no shobu sanbon, categoria Open. Eu tinha 53 anos e pensei então em participar para ganhar o respeito dos mais veteranos no meu cargo de Diretor Técnico da C.B.K., e sozinho representei o meu estado (Paraná). Meu filho Daniel que tinha sido campeão Brasileiro e tinha participado no Mundial do México foi o meu técnico. O Edgar era bem mais novo do que eu e dizia que tinha treinado com o Professor Sagara, apesar de que nos 20 anos em que treinei lá nunca o vi nas minhas idas a São Paulo, além de que também se vangloriava de ter uma técnica superior, especialmente no mawashi-gueri. Era só conversa, porque do dizer ao fazer tem uma diferença enorme, ainda mais ainda quando há um adversário na frente querendo fazer a mesma coisa. Enfim, Edgar não participou e manteve-se na postura de presidente, que era mais interessante e seguro para ele. A competição foi muito boa, salvo a arbitragem equivocada de um professor japonês que tinha vindo dos Estados Unidos para dar um curso de Shito-ryu, de nome Myky, do qual tenho uma péssima lembrança. Para mim o resultado foi bom, pois ganhei o Kata, fui Campeão no shobu-sanbon e 3º. lugar no shobu-ippon, classifiquei o meu estado em 3º. lugar sozinho. Mas, o melhor resultado foi que ganhei o respeito dos karatecas mais veteranos e que ainda não me conheciam, a aceitação deles me ajudou muito em meu trabalho. Isso, acredito, doeu profundamente para a dupla baiana. A Bahia é um estado maravilhoso, com ótimos karatecas, pena que a perseguição que o Senhor Fauzi fez para impor o seu ponto de vista com a força da caneta fez com que muitos se afastassem. Muitos foram os comentários de que “o cotovelo” dos dois doeu muito com o meu bom resultado no campeonato. Mas, eu não percebia o ciúme, estava empenhado em fazer um bom trabalho como Diretor Técnico. O que relatei acima é para se entender como começou a estrutura do Karatê Brasileiro; dividido e com pouca união. Nas minhas andanças pelo Brasil, como atleta e técnico da seleção paranaense, pude verificar que a maior dificuldade no Brasil era o seu tamanho, um país continental, com culturas e tradições diferentes em cada estado. A primeira sugestão que dei foi para que se realizassem Campeonatos Regionais, visto as grandes distâncias que se encontravam as capitais de cada estado e que impedia a participação de muitos praticantes de karatê pelo alto custo dos deslocamentos, que dependendo do lugar de realização do campeonato levavam até dias (ônibus), para comparecer ao encontro, sendo que muitos nem viajavam por motivos econômicos. Deve-se entender que o karatê é puramente amador, só se pratica e só se participa de competições por o amor, (AMA-DOR), a maioria dos atletas participa às próprias custas ou com ajuda do “PAI-TROCÍNIO”, muitas vezes são atletas com emprego e que não conseguem licença para se afastarem do trabalho ou ainda estudantes que não podem se ausentar do estudo com o risco de serem reprovados. Então, a única maneira seria a de dividir o Brasil em quatro regiões: Norte, Nordeste, Centro e Sul, adotando o sistema de eliminatória dupla, em que o atleta só seria eliminado quando fosse derrotado duas vezes. Este tipo de sistema foi instituído para compensar o desgaste das grandes distâncias. Os nossos árbitros não estavam habituados com o novo regulamento e cada um arbitrava com a experiência pessoal adquirida no regulamento do shobu-ippon; se o atleta fosse eliminado na primeira luta por algum erro do árbitro era uma cascata de reclamações, então a eliminatória dupla era um paliativo com a segunda chance que o atleta recebia. Isso satisfazia os participantes e graças a este sistema as reclamações diminuíram e muitos atletas tiveram a chance de serem recuperados na repescagem, tornando-se até campeões. Desta forma, o número de atletas participantes triplicou e também o trabalho. A minha participação foi intensa, pois deslocava-me de sul a norte do Brasil e assim acabei conhecendo todos os cantos deste grande pais. As atividades aumentaram ainda mais com a inclusão das categorias menores (mirim, infantil, infanto-juvenil e juvenil). Mas, o mais importante era que todo o Brasil estava participando e isso foi muito gratificante. Por alguns anos este sistema foi adotado e deu um bom resultado. Mas, a presidência da CBK, não estava satisfeita porque tudo isto implicava em gastos, e tais gastos não eram “bom para o negócio”, filosofia essa por eles adotada, primeiro os negócios. Com o aumento do numero de participante, categorias de peso e classes, o número das medalhas tinha triplicado, apesar de que os participantes pagavam e pagam as próprias despesas e mais a taxa de competição, e o estado que promove o evento paga todas as despesas de estada e alimentação de todo o staff da C.B.K. (30 pessoas), mas as despesas das medalhas, segundo eles eram grandes e então se reduziu para uma única região, ou seja, um turno único para todo o Brasil, apesar de que, a receita maior da C.B.K., não era esta, mas sim os exames de faixa. No entanto, nenhum estado sabe quantos exames são feitos anualmente no Brasil porque no relatório técnico anual o presidente não informa a assembléia. Eu mesmo, no período em que fui o diretor técnico, sempre me foi escondido o número de aprovados, vale dizer, que a taxa de exame e altíssima, e é daí que vem a maior receita da C.B.K. Todas as minhas viagens a serviço do karatê da C.B.K., tinha que financiar antecipadamente, e depois, a duras penas através de comprovantes me era feita a devolução. No início da administração Edgar \Fauzi, a C.B.K. não tinha recursos e pelos primeiros dois anos paguei do meu bolso as viagens que fiz para realizar os Regionais, creio que eles viciaram, mas quando as coisas começaram a entrar nos eixos, graças as taxas de competição, parei de usar o meu dinheiro e nem pedi de volta o que tinha gasto. No meu coração há um sentimento de dívida e gratidão com o Brasil, terra que me acolheu e onde criei os meus filhos e achava que devia retribuir da melhor maneira que me fosse possível, e é o que ainda faço hoje. Para mim, as coisas eram e são muito simples, nos devíamos fazer um trabalho honesto dando oportunidade a todos de desenvolver as suas qualidades técnicas dentro dos princípios filosóficos do karatê. Encontrei muitos professores e atletas que tinham este comportamento e isso me deu ânimo para o trabalho. O que não combinava, era a atitude dos dirigentes, a começar pela dupla da C.B.K., pois com o tempo, percebi que nenhum dos dois tinha interesse em desenvolver o karatê, mais sim, seus interesses maiores que eram a parte financeira. A cabeça pensante era o Fauzi, que chegou ao ponto de mudar os estatutos da entidade quatro vezes para atender as suas conveniências pessoais. Os estatutos eram aprovados em assembléia sem que os dirigentes das federações tivessem oportunidade de fazer uma leitura prévia; essa aprovação era sempre por aclamação e aberta em que o Senhor Fauzi usava sempre a seguinte frase: ”QUEM ESTIVER DE ACORDO FIQUE COMO ESTÁ, QUEM FOR CONTRÁRIO LEVANTE”, e imediatamente, APROVADO. Isso dito de forma autoritária, e claro que ninguém se levantava. Foi aí que percebi como agiam, pois caso alguém discordasse era marginalizado e perseguido até que abaixasse a cabeça e depois era reintegrado como se lhe estivessem fazendo um favor. Esta é a cultura do “coronelismo” que é praticado em todas as camadas sociais, herança, talvez, do período de escravidão no Brasil.

As divisões regionais tinham feito sucesso e isso durou oito anos até que o Senhor Edgar, em conluio com alguns presidentes de federações, que também tinham interesses pessoais, pois os seus Estados se encontravam no centro do Brasil, propuseram a retirada dos regionais e voltaram a fazer os campeonatos em um turno único, de preferência nos Estados centrais. Isso foi aprovado em assembléia, no entanto, deve-se entender que devido ao tamanho do Brasil, todas as assembléias são feitas na cidade de São Paulo e muitos presidentes, devido a distância e gastos não comparecem, mesmo que os assuntos sejam de interesse de seu estado, ou por entender que sabendo antecipadamente que a presença deles não alteraria o resultado deixavam e ainda deixam de comparecer. O Senhor Fauzi tinha uma penetração muito grande na região Norte-Nordeste, conseguida através de pequenos favores que ele havia feito no passado quando era vice-presidente da Pugilismo e agora como vice-presidente da C.B.K., estes favores eram cobrados, ele pedia aos presidentes das Federações procurações para poder representá-los nas assembléias, cujas procurações eram dadas as pessoas do seu grupo, que naturalmente, votavam sempre a seu favor, ainda mais que ele pedia sempre que as votações fossem abertas e usava sempre a frase ”QUEM ESTIVER DE ACORDO........................... “.Eu não podia fazer nada, não era presidente não votava, era o Diretor Técnico da entidade, no entanto, estas atitudes me desagradavam muito e que desencadearam vários atritos com os dois, visto já ter percebido qual era o esquema dos dois; não querendo mais fazer parte disso, resolvi sair, mas alguns presidentes me convenceram em continuar, dizendo-me que eu era o baluarte do karatê brasileiro. E assim, continuei, mas, esgrimindo com os dois, em contrapartida, eles deixavam a minha vida dura e faziam o possível para que eu desistisse, para que depois pudessem alegar que eu tinha abandonado o cargo e que eles não tinham culpa. Continuei segurando a peteca, como se diz aqui no Brasil. Mas, de repente aconteceu um fato novo no meu estado e a pedido dos filados tive que assumir novamente a presidência da Federação Paranaense. Na Assembléia anual de 2006, como presidente da minha federação e como manda a LEI, pedi a vista dos documentos comprobatórios dos gastos da C.B.K. E aí, iniciou-se outra batalha, negaram-se em apresentar os documentos e eu fui exonerado do cargo de Diretor Técnico. Fui processado no Tribunal de Justiça Desportiva da C.B.K. com a alegação de que a minha carta de repudio a minha exoneração foi ofensiva e então recebi uma suspensão de 180 dias, em que não poderia representar a minha Federação e nem dar aulas de karatê. O nosso advogado, que é um aluno meu faixa preta e conhece o caminho do karatê e das Leis da sociedade, Dr. Milton Miró Vernalha, entrou na justiça me defendendo e conseguindo uma liminar revertendo a situação. A C.B.K. se pronunciou dizendo que não poderíamos recorrer a justiça comum sem antes esgotar os recursos no Tribunal deles (conforme estatuto da C.B.K.,que foi elaborado pelo Senhor Fauzi), dessa forma desfiliaram a nossa Federação dos quadros da C.B.K.. Isso também foi revertido na justiça comum e fomos reintegrados em aguardo do julgamento final. Depois disso veio a BOMBA, descobrimos que o Tribunal da C.B.K. era falso, pois para aprovar o tribunal usaram assinaturas de presidentes de federação, atletas e árbitros, recolhidas, possivelmente, em alguns campeonatos e feitas montagens e mais tarde lavradas em atas, como se estas pessoas estivessem presentes no dia da assembléia da indicação dos nomes dos auditores. Descobrimos isso quando conseguimos uma cópia e verificamos os nomes, sendo que até a assinatura do meu filho e de um aluno meu constava na folha dos árbitros, claro que com a pressa de formar o Tribunal, que deveria me punir, acredito não terem percebido que constava o nome do meu filho e que a suposta reunião foi realizada em São Paulo. Naquele dia, tanto meu filho como o meu aluno se encontravam em Curitiba. Entrei em contato com os presidentes das federações comunicando este ato desonesto e que as assinaturas deles tinham sido usadas para falsificar os documentos do Tribunal, eles admitiram de não ter assinado nada no que se referia ao tribunal, mas estavam com medo das retaliações com as suas federações que com certeza viriam. Atitude essa covarde e indigna de praticantes, com um karatê verdadeiramente minúsculo, contrário ao espírito do karatê, que deve lutar em favor da justiça. Mas lembro que um jornalista esportivo norte-americano escreveu que “O ESPORTE NÃO FORMA O CARATER, MAS O REVELA”. O primeiro princípio dos lemas do karatê diz: ESFORCAR-SE PELO APRIMORAMENTO DO CARÁTER. Alguns dirigentes do karatê brasileiro nem sabem o que isso significa, salvo alguns, mas estes também demonstraram-se covardes por não reagirem aos abusos cometidos pela C.B.K. Acredito que o comportamento dos dirigentes e professores mais antigos tem uma influência muito grande na formação da juventude, mas entristece-me dizer que essas pessoas não enxergam além do seu pequeno mundo, com minúsculos sucessos obtidos através de tramas políticas; não pensam no futuro do karatê, o qual será representado por estes jovens formados dentro dos princípios educativos do karatê, mas com o péssimo exemplo dos seus dirigentes. O Karateca treina para se defender de ataques de socos e pontapés e quando ataca o faz de forma limpa, como manda o caminho do karatê, mas o karatê não ensina como se defender da falsidade de pessoas que dizem treinar essa arte marcial, mas o usam para os seus negócios escusos, aproveitando-se da inocência e fraqueza de muitos de nossos praticantes. O verdadeiro praticante de karatê que segue o “ Caminho das Mãos Limpas” não esta acostumado a esses comportamentos, pois habituado a jogar limpo, quando pego desprevenido, sai derrotado.

7 – O que o Senhor pensa da estrutura atual do Karatê na América do Sul e mais particularmente no Brasil?

O que comentei no questionário anterior já esclarece com referência a esta questão, o que deve ser feito é que é muito difícil. O perfil do dirigente deve ser o de um karateca que tenha percorrido o caminho do karatê, de forma honesta e com amor, o qual deve circundar-se de pessoas do mesmo calibre. O karateca gosta de lutar e não gosta de se envolver na política, mas se ele quiser mudar este tipo de coisas e se quiser um futuro vitorioso para os jovens karateca, deve continuar lutando. Se não pode mais fazê-lo no tatame, deve assumir uma posição política e lutar contra as injustiças, especialmente quando isso acontece dentro do mundo do Karatê. Se não o fizer haverá sempre algum “Mandraque” com um discurso muito bonito, mas no fundo querendo somente um negócio; vai mandar em você e se por acaso você for uma pessoa vaidosa, ele te prometera alguns Dans (não se surpreenda, sabemos que isso acontece) e se você aceitar, estará perdido. Na época da ditadura, fui instrutor em uma instituição militar por vários anos, corria um ditado entre eles que dizia: “O guerreiro é duro que nem macarrão, depois que entra na panela amolece”.

8 – O Senhor acredita que possa existir uma “escola brasileira” de Karatê como existe no Japão e na Europa, mais particularmente na Itália, França, Espanha e Inglaterra?

Dentro do karatê esportivo, na modalidade de kumitê, visto a mudança continua dos regulamentos de competição, pode acontecer que se desenvolva um karatê com uma escola especifica do país por causa das modalidades de luta originarias destes países. Mas, a iniciação será sempre dentro da cultura japonesa que é o país de origem do karatê - .Kihon, Kata e kumitê. Aqui no Brasil, alguns atletas treinam Capoeira que é a luta brasileira, mas não dá certo na luta de karatê. As lutas devem ser treinadas conforme o seu país de origem, devendo até se aproximar no seu modo de pensar, mas sem perder a própria identidade. Pode existir o karatê feito por brasileiros, mas não o karatê brasileiro, como não terá uma Capoeira francesa ou um Savate brasileiro.

9 – A Itália é campeã do Mundo em Kata por equipe e no individual com Luca Valdesi, o que o Senhor acha disso?

Em 1998, no Campeonato Mundial realizado aqui no Brasil, Rio de Janeiro, tive a oportunidade de conhecer o Diretor Técnico da Federação Italiana, professor Píerluigi Aschieri, que me disse que os katas na itália eram inclusos nos treinamentos de ginástica rítmica, e separados dos atletas de kumitê, parece que deu certo. Realmente os katas são muito bonitos na sua plasticidade, mas para o meu gosto, acho que perderam na marcialidade, especialmente os Bunkai, que são muito teatrais e não refletem a realidade da situação.

10 – O senhor organiza cursos?

Eu sou professor de Educação Física e hoje estou aposentado pela Universidade Federal do Paraná. Organizei muitos cursos de extensão universitária, convidando colegas meus, especialistas em várias áreas desportivas como ministrantes, especialistas em condicionamentos físicos, preparação psicológica, socorro de urgência, professores de karatê que aqui estiveram para ministrar cursos de kihon, kata, kumitê e também de arbitragem. Eu mesmo ministrei vários cursos de karatê em vários estados brasileiros, mas, principalmente, no meu estado sempre que me convidam. O meu Dojô recebe a visita de muitos praticantes de karatê, que aqui vem treinar, e que vale salientar, muitos são de estilo diverso do meu.

11 – Com a idade adquirimos sabedoria e uma visão mais justa sobre o mundo. Qual é sua opinião a este respeito, em particular no que diz respeito às artes marciais?

”Prima vivere, poi filosofare”,(antes viver, depois filosofar). Não sei se o que já vivi é suficiente para poder filosofar sobre o mundo. Mas, acredito que temos dois mundos; o nosso mundo pessoal, próprio, e o mundo que nos circunda. Sobre o meu mundo pessoal, posso interferir para ser mais feliz, pensando em valores positivos e esquecendo os pontos negativos como: a inveja e o rancor, afinal, como diz o ditado ”águas passadas não movem moinho”. No mundo exterior, o que nos circunda, pouco posso fazer, pois sou apenas um grão de areia no deserto ou ainda uma gota de água no mar. O que eu fizer mudará pouquíssimo e o mundo continuará. Mas, aqueles que no mundo exterior estão próximos de mim, talvez eu os possa influenciar com bons exemplos dentro da postura do Karatê. Assim, quando tenho a oportunidade de fazer a abertura dos campeonatos de Karatê, sempre digo aos jovens participantes que a melhor técnica para serem vencedores e aquela que eles devem cultivar, não é Tsuki ou o Keri, mas o Caráter, a Sinceridade, o respeito, a Persistência e o Autocontrole, que são os princípios do KARATE-DÔ.

As artes marciais e em particular o karatê são uma ferramenta muito boa para o aprimoramento do indivíduo; os códigos de ética dos antigos guerreiros japoneses não creio serem anacrônicos; são parecidos aos códigos dos antigos cavaleiros medievais e que ainda se cultuam na Europa nas festividades regionais. Mas porque só nas festividades? Por que não ter este comportamento no dia a dia? Este é um tipo de educação, que acredito, deve ser perpetuada com os devidos ajustes ao momento que vivemos.

12 – Na França, as promoções de graduação são disciplinadas pela Comissão Especializada de Dan e Graus equivalentes – CSDGE da Federação Francesa de Karatê e Disciplinas Associadas conforme na Lei No. 2000-627 de 6 de julho de 2000 relativa à organização e a promoção das atividades físicas e desportivas do Código do Desporto Francês. O que o Senhor acha disso?

Acho que foi uma grande conquista da Federação Francesa em conseguir que o karatê e outras disciplinas de luta tivessem o reconhecimento oficial do Código do Desporto Francês. Sinto não conhecer o código e nem a LEI para poder opinar melhor a respeito.

13 – Na França, já há 4 anos o Karatê está oficialmente aberto aos Deficientes, o Senhor pode dizer-nos se a CBK conseguiria implementar um programa assim no Brasil?

No Brasil, ocorre em alguns lugares, por iniciativa particular de alguns professores, a tentativa de ministrar aula de Karatê para deficientes da síndrome de Down, mas é algo sem acompanhamento especializado. A C.B.K. tem o interesse maior em realizar campeonatos, o que implica na cobrança das taxas de competição e registro de faixas, especialmente do grau (DAN). Apesar de que, todas estas taxas deveriam ser revertidas na organização e desenvolvimento do Karatê, mas não é o que acontece. O que podemos notar é que a CBK preocupa-se apenas com os assuntos particulares de seu presidente. Da maneira que é administrada hoje a C.B.K., não creio que este sentimento de solidariedade para as ditas pessoas especiais encontre abrigo.

14 – E o Karatê Mundial, olímpico ou não? Qual sua opinião sobre isso?

Com a fundação da Federação Mundial de Karatê (W.K.F.), o Karatê fez grandes passos pela unificação, mas as divisões ainda persistem por causa dos estilos. Cada estilo tem as suas tradições e devem ser respeitadas, mas todas têm em comum o desenvolvimento do cidadão de forma sadia, na mente e no corpo. O que divide mais o karatê e que distingue esta diversidade são os Katas, o que não ocorre com o Kumitê. O Kumitê une os karatecas, mas o Kata os divide. Campeonato de Kata em que todos os estilos se apresentam juntos não é uma forma correta de verificar qual atleta é o melhor, pois cada estilo tem conceitos diferentes de como deve ser executada uma técnica. Então, acredito que se continuar desta maneira nunca vai haver união dentro do Karatê. Assim, na minha modesta opinião acho que deveria a F.M.K. organizar os campeonatos de Kumitê e deixar de fazer os campeonatos de Kata, os quais deveriam ser organizados pelos estilos: Shotokan, Gojuryu, Wadôryu e Shitoryu. Cada um faria os seus campeonatos na ótica do seu estilo e o atleta vencedor seria o campeão Mundial ou (Municipal) do seu estilo. Não tem razão em dois atletas de estilos diversos se confrontarem para ver quem é o melhor. Mas como, se os dois usam armas diferentes. Quem sabe, assim, todos ficariam satisfeitos e acabariam as divergências.

Nos campeonatos internacionais, as disputas de kumitê por equipe são realizadas antes das disputas individuais valendo uma única medalha. Em maio do ano 2000, fui o representante do Brasil no cargo de chefe da delegação Brasileira, então, no congresso técnico argumentei que as disputas individuais deveriam acontecer primeiro, uma vez que todos os paises participantes formavam as suas equipes com os melhores atletas das categorias de peso. Acontece que nem todos os paises participam com a equipe completa; uns com três, outros com quatro e poucos com cincos. Por exemplo, naquele ano Curaçao participou com três atletas na equipe, um deles machucou e não pode mais participar das disputas individuais na categoria em que ele era o favorito, um excelente atleta negro, chamado Leite. Eu havia argumentado no dia anterior que isso podia acontecer e que devia ser evitado, pois uma medalha da Equipe vale tanto para o atleta como uma medalha conquistada no individual; representar o seu país na equipe é uma honra e o faz com orgulho, mas a medalha individual para um atleta é muito importante, além de que o país também fica prestigiado da mesma forma. Tanto o presidente da P.U.K.O, Sr. Millerson, como também o Diretor de árbitros, Sr.Julius Thires, disseram-me que concordavam comigo, mas este era o regulamento da F.M.K., e eles não podiam mudá-lo. Creio que um regulamento é feito de forma genérica e deveria, dentro do possível, ter uma certa flexibilidade, conforme a realidade do lugar e com a concordância da maioria. Fique claro que não estou me referindo ao regulamento de arbitragem, mas sim a organização da competição. O Sr. Thires, que era naquele dia o diretor da competição, não queria que os técnicos estivessem ao lado das mesas de controle acompanhando os seus atletas porque eles interfeririam no julgamento dos árbitros e incentivariam em voz alta aos seus atletas; o que é proibido no regulamento de competição por tirar a tranqüilidade do árbitro no seu julgamento. O que eu concordo com o regulamente nesse tipo de proibição. No entanto, argumentei que se o regulamento fosse infringido deveria se punir o infrator e não proibir a entrada dos técnicos, porque desta forma a disciplina e o respeito ao regulamento nunca seria alcançado. A maioria concordou comigo e os técnicos puderam acompanhar seus atletas. Todos os técnicos tiveram um comportamento correto; claro que era com o receio da punição que seria revertida contra o seu atleta. O arbitro não deve ser rigoroso nem condescendente; ele deve ser Justo, doa a quem doer; deve ser corajoso mesmo que isso lhe provoque inimizades. Mas, que amigos são estes que te oferecem amizade se você os favorece? Assim, é melhor ter inimigos; com eles se aprende mais. Um ditado italiano diz: ”MUITOS INIMIGOS, MUITA HONRA”; se ninguém fala de você, ou dizem que você é um sujeito bonzinho, é porque você não existe, pouca interferência você faz no progresso das coisas. Deve-se encarar o inimigo como instrutor; com ele você aprende. O amigo não te critica, ele gosta de você, mesmo com as tuas falhas, este é o amigo e deve ser mantido bem perto do coração. Mas, pensar com o coração não ajuda o desenvolvimento de uma organização.

O Karatê olímpico é o sonho de todo karateca que tenha sido atleta e daqueles que ainda o são, mas é um assunto muito complexo. Eu acho que os Mestres representantes dos estilos estão equivocados com a perda da marcialidade do karatê ao se tornar mais um esporte olímpico. Visto os regulamentos esportivos da modalidade de Kumitê, vemos que muitas técnicas, pela sua periculosidade, não são permitidas. Então, nos Dojôs continuar-se-á a ministrar o Karatê marcial e nenhum estilo será afetado pela inclusão do Karatê como esporte olímpico, pelo contrário, eu creio que o número de adeptos aumentará por ser os Jogos Olímpicos uma vitrina mundial do desporto. Agora, lutas nas Olimpíadas já existem muitas, então, o Karatê deveria se apresentar com um regulamento diferente. E os pensadores da F.M.K. devem ter o cuidado de não apresentar mais uma luta. O Kata não creio que será aceito, apesar de que, pode vir a servir como abertura, mas não como disputa. Já dei a minha opinião a respeito e reafirmo o que acho, é de interesse dos estilos. O Kumitê, em minha opinião, deveria se apresentar por Equipe e não individual. As outras lutas marciais já se apresentam individualmente, claro que no individual o número de medalhas é maior, mas nas lutas de kumitê por equipe as lutas são individuais; em número de cinco no masculino e três no feminino. Como fazer para aumentar o numero de medalhas? Vamos supor que em uma disputa final por Equipe o resultado seja de três a dois, quem teve três vitórias será a equipe vencedora, então, premiará três medalhas de ouro para a equipe vencedora e duas para a equipe perdedora. A equipe deveria ser formada pelos campeões de cada categoria individual e as medalhas seriam somadas para os Países participantes. Espero que essa minha sugestão os faça pensar a respeito, pois é isso que eu desejo. PENSEM.!!!

Acho que cheguei ao final do questionário que me foi apresentado; não foi fácil; tive que refrescar a memória; muitas coisas aconteceram e que eu já tinha esquecido, mas valeu a pena, mesmo que algumas lembranças me entristeçam um pouco.

Espero que o que relatei seja útil e possa servir para alguma coisa. Continuo o meu caminho, que deve ter sido traçado por alguém, não sei por quem, mas foi um bom caminho.

ALDO LUBES

Professor de Educação Física, da Universidade Federal do Paraná

Faixa Preta de Judô, 4 Dan-pela Confederação Brasileira de Judô.

Faixa Preta de Karatê, 8 Dan-pela Confederação Brasileira de Karatê