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segunda-feira, 2 de julho de 2012

A companheira do mar - CANOA

“A canoa é o símbolo do caiçara. Nós viemos da canoa e do remo. Dela
dependíamos para o sustento, andar por aí quando não tinha estrada. Quando
você vê um canoeiro remando em pé numa frágil canoa nas águas mansas do
canal de São Sebastião, é sinal que ali vai um caiçara”. A maré embala a
orla, onde repousam tranquilas estas coloridas senhoras. Engana-se quem vê
sua serenidade: quando necessário, conduzem seus hábeis tripulantes para mar
afora. Testemunhas de impressionante perícia, as canoas caiçaras são
originárias da arte indígena de se construir, com um único tronco escavado,
os meios de transporte para os nativos se deslocarem por todas as povoações
de marinha e pelas ilhas da região. Elas estão presentes até na Ilha de
Búzios, distante 24 quilômetros da costa.

“Esta região é conhecida, e antigamente o foi muito mais, pelas suas enormes
canoas, cavadas na madeira sólida; vi algumas de dimensões inacreditáveis”.
Com o tempo, o caiçara aprimorou suas técnicas de feitura. Acrescentou a
vela, originando a canoa de voga, magnífica embarcação com grande capacidade
de deslocamento, único meio de transporte de muitos, levando a longínquos
destinos, como Santos e Rio de Janeiro, movidas a braço e vela. A propósito,
a destreza do comando nestas viagens era respaldada pela sorte, como vemos
no relato de um espantado engenheiro que visitou nosso litoral em 1906:

“Em geral estas vogas não levam apenas aguardente, embora constitua o
carregamento de maior monta. Frequentemente segue grande quantidade de
‘quitandas’, e é uma das cousas mais curiosas ver uma destas prompta para
partir. Há de tudo a bordo: limões, cocos, e outras fructas, cabritos,
perus, gallinhas, e patos, ovos, esteiras, e objectos de barro, enfim, uma
infinidade de productos diversos (...). Muitas vezes embarcam ainda
passageiros, de maneira a tornar-se um verdadeiro enigma como tudo aquilo se
arranja no caminho”.

Oferecem, em nossas areias, uma bela imagem, com o conjunto dos apetrechos,
o balaio, a rede e o remo. Atualmente, muitas canoas ainda circulam em nosso
canal, nas pescas, nos passeios, transporte de passageiros e no leva e traz
de mercadorias dos moradores de comunidades ainda isoladas, como a Praia do
Bonete,Baia dos Castelhanos,Ilha de Búzios, em Ilhabela. Algumas canoas já
foram modernizadas com motores, mas conservam ainda o antigo charme.

Batango na canoa BRASIL, Ilhabela - 1951

Nosso presente é construído sobre aquilo que
fomos no passado.

Jeannis Michail Platon, mergulhador, escritor



Original:   CONFRARIA-DO-MAR@yahoogrupos.com.br  -   Nobre   MAGA.

DERRAME - UTILIDADE PÚBLICA


DERRAME - UTILIDADE PÚBLICA: VOCÊ PRECISA SABER!!!   Os Derrames Cerebrais - Agora existe um 4º indicador : A língua

Derrame:
memorize as três primeiras letras...S.T.R.
Só leva um instante ler isto...
Disse um neurologista que se levarem uma vítima de derrame dentro das primeiras três horas, ele pode reverter os efeitos do derrame -totalmente.
Ele disse que o segredo é reconhecer o derrame, diagnosticá-lo e receber o tratamento médico correspondente, dentro das três horas seguintes, o que é difícil.

RECONHECENDO UM DERRAME
Muitas vezes, os sintomas de um derrame são difíceis de identificar. Infelizmente, nossa falta de atenção,torna-se desastrosa.
A vítima do derrame pode sofrer severa consequência cerebral quando as pessoas que o presenciaram falham em reconhecer os sintomas de um derrame.

Agora, os médicos dizem que uma testemunha qualquer pode reconhecer um derrame fazendo à vítima estas três simples preguntas:


S
* (Smile) Peça-lhe que SORRIA.

T
* (Talk) Peça-lhe que FALE ou
APENAS DIGA UMA
FRASE SIMPLES. (com
coerência)
(ex : Hoje o dia está ensolarado)


R
* (Rise your arms) Peça-lhe que levante AMBOS OS BRAÇOS.

Se ele ou ela têm algum problema em realizar QUALQUER destas tarefas, chame a emergência imediatamente e descreva-lhe os sintomas, ou vão rápido à clínica ou hospital.


Novo Sinal de derrame - Ponha a língua fora.


NOTA: Outro sinal de derrame é este:
Peça à pessoa que ponha a língua para fora.
Se a língua estiver torcida e sair por um lado ou por outro, é também sinal de derrame.


Um cardiologista disse que qualquer pessoa que reenvie este e-mail a pelo menos 10 pessoas; pode apostar que salvará pelo menos uma vida...
Não o considere uma corrente, mas sim, algo que todos devemos saber.


Eu já cumpri a minha parte...

FAÇA-O VOCÊ AGORA!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O ADEUS AO MS-DOS



Microsoft acaba com o programa que fez de Bill Gates o mais rico do mundo

Manoel Fernandes - 2003



Não houve cerimônia de despedida. Nenhum integrante de alta patente da Microsoft fez qualquer declaração e tudo se resumiu a um breve comunicado. No último dia de dezembro do ano passado, a empresa anunciou oficialmente o fim do MS-DOS, o sistema operacional presente nos primeiros computadores domésticos fabricados pela multinacional IBM na década de 80. Graças ao DOS, Bill Gates tornou-se o homem mais rico do mundo e os consumidores de todo o planeta descobriram que poderiam ter dentro de casa uma máquina capaz de realizar tarefas que antes só eram feitas pelos grandes computadores. “O DOS foi um marco na história da tecnologia”, afirma Alexandre Leite, gerente de Windows da Microsoft Brasil.
Quem tem mais de 25 anos descobriu o mundo da tecnologia através do DOS. Os primeiros jogos, editores de textos e planilhas de cálculo foram construídos com base nesse sistema operacional. “Sem o DOS levaríamos mais tempo para chegar ao atual estágio da computação doméstica”, afirma o professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco, Silvio Meira. A trajetória do DOS renderia um bom filme de Hollywood no qual Bill Gates seria o personagem central. Tudo começa em 1981, quando a IBM procurava um software para colocar nos seus PCs. A busca estava quase terminando quando os executivos da multinacional conheceram uma jovem companhia, a Microsoft. Na conversa, Gates e seus sócio Paul Allen garantiram ter o software que a IBM procurava para seus PCs. Eles não tinham nada. Foi um dos
maiores blefes do mundo corporativo. Quando os executivos da IBM saíram, Gates começou uma busca frenética pelo programa que terminou encontrando em outra pequena empresa. Pelo software, depois batizado de MS-DOS (Microsoft DOS), ele pagou US$ 100 mil em valores da época e cobrou da IBM US$ 60 por cada cópia instalada. Foi assim que nasceu a Microsoft. Foi assim que ela se tornou mais valiosa que a própria IBM. E foi assim que Gates construiu sua fortuna.

O DOS teve treze versões. A última vez que a Microsoft o trouxe ao mercado foi no lançamento do Windows 95. Desde então, a companhia de Gates não mais estimulou o desenvolvimento de softwares baseados no pré-histórico sistema operacional. O DOS passou para um segundo plano e as versões seguintes do Windows não o trouxeram mais. Com a chegada do Windows XP, o DOS foi varrido por completo da memória da Microsoft e de seus produtos. Ficou apenas o suporte para alguns poucos usuários e fornecedores. A decisão do final de dezembro acabou com toda essa estrutura e daqui em diante quem desejar ter algum software baseado em DOS precisará consultar pela internet um museu de dados montado pela Microsoft em seus computadores. 

domingo, 6 de maio de 2012

Zé Peixe, adeus a um SENHOR Prático

Ele passou a vida dentro d’água, buscando navios a nado. Conheça a incrível história desse velho do mar        por Marcia Bindo

Do alto do barco, dá para ouvir a imensidade de mar chamando. Uma voz macia, sussurrada. Ele apruma os pés na beirada, estende os braços para trás, estufa o peito e salta num vôo ligeiro. A água suaviza a queda, envolve-o com um abraço de boas-vindas. Está em casa. Logo os botos vêm chegando, como de costume, para fazer companhia na travessia.

Esta é a história de um peixe chamado José. Há mais de seis décadas ele passa a maior parte do tempo na água. Nada quase diariamente cerca de 10 quilômetros por dia, está habituado a saltar de navios de mais de 40 metros de altura e é capaz de façanhas homéricas no mar mesmo com seus 80 anos. Zé Peixe, como é conhecido em Aracaju, é reverenciado por marinheiros dos sete cantos por sua humildade, bravura e profundo conhecimento das coisas do mar.

Uma lenda viva.

E, como toda lenda, tem suas particularidades. Desde que começou a trabalhar no porto de Aracaju, Zé Peixe nunca mais tomou um bom banho de chuveiro. Para quê, se está sempre na água? Também quase não bebe água doce. Gosta mesmo é de dar uns golinhos de água salgada nos trajetos que nada. Faz um bem danado à saúde, diz ele.

Conhece como ninguém os segredos da Boca da Barra, onde o rio Sergipe se abre para o mar e bancos de areia se formam de uma hora para outra, colocando em risco as embarcações. Sabe a profundidade das águas pela cor e as correntezas pela variação de temperatura e direção do vento.

Zé Peixe é o prático mais conhecido do planeta. Prático é o sujeito que ajuda os comandantes a conduzir os barcos na entrada e saída do porto, orientando-os a manobrar com segurança. Sua presença é obrigatória em qualquer cais do mundo no momento de atracagem e saída dos navios. O que faz de Zé Peixe uma espécie rara é a maneira como trabalha: ele vai buscar o navio a nado, enquanto seus colegas recorrem a um barco de apoio. E, quando tira o navio do porto, em vez de voltar de barco ele zapt!, salta no mar. Faz assim: enrola a camisa, coloca junto com os documentos e os trocados em um saco plástico e amarra fi rme no calção; mergulha e volta para casa com braçadas elegantes, ritmadas, sem movimentar as pernas para não atiçar os tubarões. Se for uma distância mais ou menos, o importante é não se afobar. O jeito é não brigar com as ondas nem ir contra a correnteza, ele fala, sempre gesticulando suas nadadeiras.

Quando Zé Peixe chega ao porto é uma alegria só. Ele curva seu corpo para cumprimentar funcionários, marujos e capitães, como se os estivesse reverenciando. Não existe ninguém como ele, diz um. Uma fi gura lendária de Aracaju, afi rma outro. Peixinho é um ídolo, conta outro homem do mar.

É certo que o porto de Aracaju não é lá muito movimentado. Mas, por causa de Zé Peixe, ganhou fama internacional, espalhada por navegantes de fora que lá atracaram. Os gringos me chamam de Joe Fish, diz. Certa vez, um capitão russo de um cargueiro chegou a pedir que o detivessem quando estava para se lançar ao mar achou que ele estava se suicidando.

Zé é peixe miudinho. Tem apenas 1,60 metro de altura e 53 quilos. Mesmo franzino, já realizou muitas grandezas. A maior proeza foi quando socorreu o navio Mercury, que ardia em chamas em alto-mar, vindo das plataformas da Petrobrás e com funcionários a bordo. Zé pegou carona num rebocador, ligeiro chegou ao navio e conduziu a embarcação até um ponto onde todos pudessem saltar e nadar para terra fi rme. Eu só fiz o que tinha de fazer, compreende? Ele não gosta de falar muito de si mesmo. Por causa de sua condição física exemplar, ele conseguiu salvar inúmeras vidas, conta Brabo, o chefe dos práticos, que há 26 anos convive com Peixinho. Em 1941, ele e toda a população de Aracaju viram na praia os corpos de náufragos de três navios bombardeados por embarcações alemãs na Segunda Guerra Mundial. A partir daí, ninguém nunca mais se afogou perto dele.

Maré cheia

Desde menino novo, Zé dá suas pernadas no rio Sergipe. Os pais, dona Vectúria e seu Nicanor, que ensinaram. De sua casa, era só cruzar a rua de terra para dar no rio. Em tempo de maré cheia, a água vinha bater na porta. Moleque arretado, José Martins Ribeiro Nunes aprendeu a atravessar o rio para chupar caju na outra margem do rio. Aos 12 anos já nadava muito bem. Sua casa era vizinha à Capitania dos Portos e logo foi reparado pelos marinheiros. De observar a destreza do menino, um almirante o batizou novamente virou Zé Peixe. Quando chegou o tempo certo, com 17 anos, formou-se prático. Dos cinco irmãos, Rita era a única que acompanhava as peripécias a nado.. Naquela época, meninas não se banhavam no rio nem podiam sair andando com trajes de banho só ela, no meio da molecada. Zé lhe ensinou tudo sobre o mar. Ensinou também meus fi lhos e netos. Ele amarrava nos braços bóias de coco seco, que não afunda, diz Rita, uma década mais nova, que de tanto nadar com o irmão levou o sobrenome Peixe.

Zé nunca saiu da casa onde nasceu, umas das mais antigas de Aracaju. Nem mesmo quando se casou, há mais de 40 anos (está viúvo há 20 e não teve filhos). Ajeitou uma casa para a mulher, mas não arredou o pé de lá sempre estava cuidando de alguém da família, ora a mãe, ora um irmão enfermo. Vou morrer aqui, diz. Mas só quando o capitão lá de cima desejar.

Hoje uma avenida asfaltada o separa do rio. Quando não está no porto, Zé vai até lá para cuidar de seus três barquinhos de madeira ancorados. Se não tiver um barquinho pra brincar fico doidim. O casebre por fora é pintado de branco, mas dentro é todo azul. Está entulhado de cacarecos que juntou pela vida, entre eles títulos e medalhas. Não joga nada fora e não gosta que arrumem sua bagunça. Tudo remete ao mar: miniaturas de barcos espalhados pelos cômodos e desenhos de lápis de cor grudados nas paredes. E muitas imagens de santos católicos. Quem chega da família já vai pedindo a bênção. E tem também quem chega para pedir uns trocados. É que Zé costuma distribuir seu salário aos pedintes. Velhos pescadores que não podem mais trabalhar, desempregados e inválidos conhecem de perto sua bondade.

Espécie rara

Mesmo aposentado há mais de 20 anos, Zé Peixe continua trabalhando por gosto. Acorda cedo, com o escuro. Não tem hora certa para trabalhar. Depende do fluxo de navios no porto. E das marés. Acostumou seu corpo a comer pouquinho, porque barriga cheia não se dá com o mar. Dá gastura. De manhã, basta um pão com café preto. E, depois, só fruta. Quando passa o dia inteiro no porto, faz jejum. O doutor já confi rmou: Zé tem coração de menino. Nunca fumou nem bebeu. Seu vício mesmo é o mar.

Se não está a pé, está com sua bicicleta. Sempre descalço. Só usa sapatos aos domingos, para entrar na missa, ou em ocasiões especiais. Teve uma época que, para não fazer feio, o danado andava com um sapato. Um dia descobri que o sapato não tinha sola, confessa o amigo Zé Galera. Ele é o único que tem autorização para andar maltrapilho no terminal marítimo, sempre de bermuda acima da cintura e pés no chão. Por ser uma raridade, um cidadão totalmente fora do padrão, ele virou uma exceção às regras, conclui Galera, que aprendeu a nadar com ele aos 6 anos e hoje é seu companheiro na praticagem.

Ele é meu herói, diz o deputado Fernando Gabeira. Quando estava exilado na Alemanha, o deputado viu uma reportagem sobre Zé Peixe. A história do bravo nadador chamou sua atenção. Quando retornou ao Brasil, foi conhecer de perto o tal sergipano. É uma figura extraordinária. Tentei fazer um filme sobre a vida dele, mas ele não quis, conta.

Zé viveu numa época em que não havia carro nem televisão. Viu o manguezal sendo aterrado e os navios minguando com o impulso rodoviário da década de 50. Enquanto Aracaju é tomada por edifícios e shopping centers que vão transformando os horizontes da cidade, Zé Peixe ainda ensina aos sobrinhos e aos filhos destes os mistérios do rio e do mar. Dizem que o mar não estará para peixe em algumas décadas. Enquanto isso não acontecer, Zé Peixe continuará nadando por lá. E como sempre, ao emergir do mar, fará um pequeno sinal na testa, agradecendo por mais um dia na água.



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Assista o vídeo abaixo sobre o sepultamento de Zé do Peixe.

http://g1.globo.com/se/sergipe/setv-2edicao/videos/t/edicoes/v/corpo-do-pratico-ze-peixe-e-sepultado-em-aracaju/1923553/

Assunto: Zé Peixe, adeus a um SENHOR Prático

Pois é, o Zé Peixe faleceu dia 26/04, mas deixou uma bela lição de vida honesta e de amor à profissão. Que essa garotada deslumbrada com os salários de hoje tenham no Zé Peixe um exemplo de dignidade.

A minha homenagem a esse HOMEM DO MAR !!!

NUNCA MAIS VAI EXISTIR UM OUTRO IGUAL...

http://www.youtube.com/watch?v=VszrWX8g6Ik 



De:   

Enviado por: "maraberto" maroceano@terra.com.br   maroceano2003

Sáb, 5 de Mai de 2012 1:43 pm 


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Em nada somos melhores do que ninguém

Não menosprezemos ninguém, pois em nada somos melhores do que ninguém.
Para realmente começarmos a sair de nossa mediocridade, convençamo-nos de nossa insignificância.
Quem menospreza os outros, perseguindo e humilhando, adoece o próprio espírito - e adoece gravemente !
Saúde mental é paz, e não há quem a possua sonegando oportunidade de ser feliz aos semelhantes.
A doença que enche os consultórios psiquiátricos é ocasionada pelo remorso de se ter sido injusto e ingrato, nesta ou em vidas pregressas.
Estendamos a mão e auxiliemos o crescimento do próximo.  Interessemo-nos por quem se encontra nas últimas fileiras e não temamos apagar-nos para que outros brilhem.
Esqueçamo-nos desta questão do "eu primeiro", sobre tudo e sobre todos.
99% dos que adoecem mentalmente não se importam com o próximo. Nunca se ouviu falar de um caso de perturbação consumada de quem estivesse empenhando-se no bem.
Ninguém sucumbe por verdadeiramente amar !
Ao contrário, o amor é abençoado cajado que levanta a quem se encontra no chão...
Não olhemos o próximo pelo que ele aparenta - nem pela cor de sua pele, pele sua crença ou condição social.

sábado, 31 de março de 2012

Comentários de um chinês sobre a crise da Europa

 Kuing Yamang


1. A sociedade europeia está em vias de se auto-destruir. O seu modelo social é muito exigente em meios financeiros. Mas , ao mesmo tempo, os europeus não querem trabalhar. Só três coisas lhes interessam: lazer/entretenimento, ecologia e futebol na TV! Vivem, portanto, bem acima dos seus meios, porque é preciso pagar estes sonhos ... 

2. Os seus industriais deslocalizam-se porque não estão disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os seus impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.

3. Portanto endividam-se, vivem a crédito. Mas os seus filhos não poderão pagar 'a conta'.

4. Os europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida empobrecendo. Votam orçamentos sempre deficitários. Estão asfixiados pela dívida e não poderão honrá-la.

5. Mas, para além de se endividar, têm outro vício: os seus governos 'sangram' os contribuintes. A Europa detém o recorde mundial da pressão fiscal. É um verdadeiro 'inferno fiscal' para aqueles que criam riqueza.

6. Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e partilhando, mas sim trabalhando. Porque quanto mais se reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles que produzem e criam empregos são punidos por impostos e taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por ajudas. É uma inversão de valores.

7. Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por esgotamento e sufocação. A deslocalização da sua capacidade produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o aumento do... da China!


8. Dentro de uma ou duas gerações, 'nós' (chineses) iremos ultrapassá-los. Eles tornar-se-ão os nossos pobres. Dar-lhes-emos sacos de arroz...

9. Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia, querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras vantagens e direitos sociais, estão muitas vezes em greve. Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz do que um
desempregado...

10. (Os europeus) vão diretos a um muro e a alta velocidade...

O Brasil que se cuide pois estão com políticas semelhantes às da Europa. Vejam, principalmente, os itens 5, 6 e o 9.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

DEUS Segundo Spinoza


“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é
que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que
Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo
construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas
praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo
mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade
fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu
amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo
o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver
comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem,
no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me
encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me
irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te
enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos,
de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te
culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês
que eu poderia criar um lugar para queimar
a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da
eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são
artimanhas para te manipular, para te controlar,
que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única
coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida,
que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem
um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há
pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um
conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de
existir. Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste
comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste,
se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero
que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas
tua filhinha, quando acaricias
teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas
relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o
jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te
ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui,
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que
precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que
estou.


Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu:
 “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Alegro-me em dizer que sem esforço nada vai acontecer!

por Paulo Roberto Gaefke:

Sinto dizer que sem esforço nada vai acontecer!
Não adianta reza forte, nem macumba com 20 velas.
Se você não se decidir pelo primeiro passo,
se você não sair desse quarto,
nem os anjos e nem Jesus poderão te ajudar,
se você não se ajudar!

Quer emagrecer?
Caminhe todos os dias,
pare de dizer que  não tem dinheiro para a academia.
A rua é livre, de graça e está te esperando, seja noite, seja dia.

Quer um novo emprego?
Estude algo novo, aprenda um pouco mais do seu ofício, faça a diferença
e as empresas vão correr atrás de você!

Quer um novo amor?
Saia para lugares diferentes, assista a um bom filme,
leia um bom livro, abra a cabeça, mude os pensamentos,
e o amor vai te encontrar no metrô, no ônibus, na calçada,
e em qualquer lugar, pois você será de se admirar.
Pessoa que encanta só de olhar...

Quer esquecer alguém que te magoou?
Enterre as lembranças e o infeliz!
Valorize-se criatura!
Se você se valoriza, sabe quanto vale,
sabendo quanto vale não se troca por qualquer coisa.
Se alguém te deixou é porque não sabe o seu valor.
Logo, enterre a criatura no lago dos esquecidos.
E rumo ao novo que o novo é sempre mais gostoso...

Quer deixar de dever?
Pare de comprar.
Não faça dívida para pagar dívidas!
Nunca! Jamais!
Faça poupança e peça para o povo esperar.
“Devo, não nego, pago quando puder.”
Assim, a cabeça fica livre e você vai trabalhar.
Em breve, não terá mais nada para pagar...

Quer esquecer uma mágoa?
Limpe o seu coração, esvazie-se...
Quem tem equilíbrio não guarda mágoas.
Só as pessoas com problemas emocionais é que se ressentem.
Ficam guardando uma dor, alimentando como se fosse de estimação.
Busque o equilíbrio emocional. Doe-se, ame mais e tudo passa.

Quer viver bem?
Ame-se!

Felicidade é gratuita, não custa nada.
É fazer tudo com alegria, nos mínimos detalhes.

Pergunte-se e se achar resposta que te satisfaça,  comece tudo de novo:
- Pra que 2 celulares? 1 pra cada orelha?
- Pra que 3 computadores, se não tem uma empresa?
- 4 carros?
- 6 quartos se é você e mais 1 ou 2?
- 40 pares de sapato, se tem apenas 2 pés?

A vida pede muito pouco e nós precisamos de menos ainda.
Acorde enquanto é tempo e comece a mudança,
antes que o tempo venha e apite o final do seu jogo!
Espero que você pelo menos tenha vencido a partida.

Seja feliz!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Seja um convidado perfeito seguindo os 10 mandamentos do bom passageiro

Da revista Náutica n°220

Fim de semana de sol e um amigo convida você, marinheiro de primeiríssima viagem, para um passeio de barco. Se não quiser criar nenhum constrangimento, fazer tudo certinho e ainda ser convidado muitas outras vezes para outros passeios com seu amigo (que, dependendo do que acontecer a bordo, pode até virar ex-amigo...), siga com atenção os 10 tópicos a seguir, que resumem bem o que todo convidado deve fazer ao entrar num barco. Veja o quê e por quê.

1- Tire os sapatos – Em barcos todo mundo deve entrar descalço. É uma questão de limpeza, porque barcos são brancos e esta cor não combina com solas de sapatos. Atenção especialmente às mulheres, porque salto alto no convés, nem pensar.

2- Não leve o amigo junto – Barcos têm espaço limitado e o número de ocupantes não pode ultrapassar o máximo permitido. Imagine, então, se ele já estiver cheio e o último convidado a chegar for você e junto com um bando de amigos?

3- Pergunte como funciona o banheiro - Banheiros de bordo têm truques, especialmente nas descargas dos vasos sanitários. Assim, antes de passar pelo constrangimento de ter que pedir ajuda numa situação vexatória, pergunte logo como a coisa funciona. É bem melhor antes do que depois.

4- Não passe bronzeador... – Bronzeadores são oleosos e gordurosos. E nenhuma destas características combina com o casco branquinho dos barcos. Portanto, esqueça deles enquanto estiver a bordo.

5- ...Mas abuse do protetor solar – Ao contrário dos bronzeadores, protetores solares são absolutamente obrigatórios em qualquer barco. A razão é simples: barcos se movimentam e isso gera vento, que mascara o calor. Mas o sol continua a queimar.

6- Não exagere na bagagem – Barcos, como já se disse, têm espaços reduzidos. Por isso, não leve para bordo absolutamente nada além do estritamente necessário. E, ainda assim, acondicionado em pequenas sacolas ou bolsas macias, dessas que dá para acomodar em qualquer cantinho.

7- Economize água – Barcos têm tanques pequenos, por isso é fundamental não desperdiçar água. Deixar a torneira aberta enquanto lava a louça ou tomar longos banhos são coisas que não se deve fazer nem em casa. Que dirá num barco.

8- Previna-ve contra enjoo – Se você tem propensão e sentir algum tipo de mal-estar no mar, tome logo algum medicamento preventivo, antes mesmo de embarcar. Assim, você não estraga o seu passeio e o dos outros também, porque — lembre-se! — quando um vomita, todos vomitam.

9- Ajude nas tarefas... – Num barco, sempre há alguma coisa a fazer para ajudar na navegação — seja soltar um cabo ou prender uma boia. Especialmente nos veleiros, que sempre necessitam subir, descer e regular velas. Assim, na medida do possível, tente ajudar. Ou, pelo menos, se ofereça, caso necessário.

10- ...Mas não faça o que não sabe – Na ânsia de querer ajudar na navegação, passageiros leigos muitas vezes acabam criando situações de risco a bordo. Portanto, só se meta a fazer o que sabe. E, se não souber, não tenha vergonha alguma de sempre perguntar ao comandante, que será sempre a única pessoa a ser ouvida a bordo.

Seguindo essas dicas você, com certeza, vai ser o convidado perfeito para navegar.
 


Fonte:   Revista Nautica
http://www.nautica.com.br/noticias/viewnews.php?nid=ulta42c30a7d8cafedaed322da8d746040e

domingo, 8 de janeiro de 2012

5 motivos para aguardar ansiosamente o Windows 8




Tony Bradley, PCWorld EUA
06-01-2012


Tablets, uma nova interface, e a capacidade de carregar o sistema inteiro em seu bolso. Conheça alguns recursos do Windows 8 que nos deixam contando os dias até o lançamento
2012 finalmente chegou! E embora a Microsoft ainda não tenha divulgado detalhes sobre a data de lançamento do Windows 8, todos os sinais apontam para algum momento ainda neste ano. Lá no fundo o Windows 8 ainda é um “Windows”, mas também traz grandes mudanças em relação às versões anteriores do sistema operacional.
O que podemos esperar do Windows 8? Há algum motivo para ficar animado com o que ele tem a oferecer? Vamos dar uma olhada em cinco recursos do novo sistema que podem mudar a forma como você lida com seu computador em 2012.
1. A “Ribbon” em todo lugar
A controversa Ribbon, substituta dos tradicionais menus e barras de ferramentas que estreou no Microsoft Office, está se espalhando e em breve tomará conta de todo o sistema operacional. Embora alguns usuários detestem a Ribbon e lamentem a perda dos menus muitos usuários já abraçaram a nova interface, que é mais flexível, personalizável e no geral mais útil.



Sei que os menus são mais “confortáveis” porque são familiares, mas depois que você adota a Ribbon nota que ela realmente lhe ajuda a trabalhar de forma mais eficaz e eficiente. Gostei dela no Microsoft Office, e estou ansioso para vê-la no Windows 8.
2. Internet Explorer 10
A Microsoft não descansou: assim que o Internet Explorer 9 foi lançado, começaram a surgir detalhes sobre a próxima geração do navegador. Com o IE10 a Microsoft está redefinido seus limites: o IE9 só está disponível no Vista e Windows 7, deixando os usuários do XP e de versões anteriores do sistema de fora.
Mas o IE10 deixará o próprio Vista de fora e irá exigir pelo menos o Windows 7. A empresa se mantém firme em sua decisão, e insiste que apenas hardware e software modernos são capazes de atingir a experiência web a que almeja com o IE10. 
3. A Windows Store
A Microsoft se “inspirou” em rivais como a Apple a a Canonical (criadora da distribuição Linux Ubuntu) para criar uma loja de aplicativos online. Parte fundamental do novo sistema, a Windows Store será o único lugar onde os usuários poderão comprar aplicativos especialmente desenvolvidos para a nova interface “Metro”. Segundo a empresa isto irá aumentar a qualidade dos programas, e reduzir o potencial de bugs e malware.
4. Um sistema em um pendrive
Um dos meus recursos favoritos do Windows 8 até o momento é a capacidade de armazenar uma cópia inteira do sistema operacional em um pendrive. Você pode levar literalmente todo o seu ambiente, incluindo sistema, aplicativos e documentos, no bolso, e “dar boot” em qualquer PC que esteja disponível.
Isso poderá tornar as viagens a trabalho ou negócios muito mais fáceis. Você poderá, por exemplo, levar apenas um tablet para tarefas mais “leves” (e-mail, navegação web), e um pendrive com o sistema para usar em um PC qualquer quando chegar ao seu destino.
5. Tablets
Por último, mas não menos importante, temos os tablets. A partir da próxima versão o sistema da Microsoft também rodará em hardware baseado na arquitetura ARM, e poderá rodar tão bem em tablets quando em desktops e notebooks. De fato, a interface Metro e o comportamento do Windows 8 parecem ter sido feitos pensando especificamente no uso em aparelhos com telas sensíveis ao toque.
  
O mercado de tablets é atualmente dominado pelo iPad 2, da Apple. O Kindle Fire da Amazon também fez muito sucesso, mas é mais voltado ao consumidor e não tão útil quanto um iPad como dispositivo móvel para negócios. Se o Windows 8 conseguir oferecer uma boa experiência de uso com um bom preço, os novos tablets podem ser um imenso sucesso.

Uma versão “beta” do Windows 8 deve estar disponível ao público nos próximos meses (a expectativa é fevereiro), mas não espero que o Windows 8 seja lançado antes do quarto trimestre deste ano, ou seja, Outubro. Talvez em Agosto ou Setembro se tivermos sorte. Mas pelo que vimos até agora, acreditamos que o sistema tem o que é necessário para se tornar um sucesso.

sábado, 7 de janeiro de 2012

O Velho Pescador - Contos do Maga.

  
A tarde estava amena, e o velho acomodou-se com dificuldade em sua cadeira, levada por familiares até a praia defronte à pequena casa. O barco fora puxado fora d’ água no dia anterior, o filho já raspara as cracas do fundo, serviço cansativo, e agora iniciava a demão de tinta venenosa, à espera da maré alta, no meio da noite, que permitiria à embarcação flutuar novamente. E ele gostava de ficar ali sentado, a ver essa atividade, ver apenas, já que seus membros cansados não lhe permitiam mais ajudar na faina.
Era um bom barco, divagou. Da melhor madeira, escolhida a dedo. Custara-lhe muito construí-lo, em anos perdidos no tempo. Não tanto em esforço físico no serrar as pranchas e tábuas, saúde para isso ele tinha, mas em juntar dinheiro para adquiri-las, e o mais necessário à feitura da embarcação. Dinheiro vagarosamente amealhado, com a venda do pouco pescado que conseguia trazer do mar em sua pequena canoa. Ela, levada pelos seus braços e por um pouco de pano quando o vento era favorável, não lhe permitia ir longe, atrás dos peixes maiores.
Conseguir o motor, aquele agora também velho motor, fora o mais difícil. O banco lhe recusara o dinheiro, dinheiro pedido contra a hipoteca de sua casinha. Para eles, ela não valia nada, disseram-lhe. Não tinha documentação, nem o terreno nem a construção. E por que teria? Recebera-a do pai, que a herdara do avô, a área era de sua família desde o começo dos tempos, com documento ou sem ele era sempre tida e aceita como de sua família!
Verdade é que, em sua meninice, o terreno era muito maior, a construção ladeada por um pomar onde as pitangas e jabuticabas faziam a delícia da garotada. Nunca se pensou em cercá-lo, em documentá-lo. E então, aos poucos, foi-se perdendo, invadido, o entorno da casa. Mas não pelos antigos vizinhos, gente da terra, respeitadora, que cederam à valorização provocada pelo turismo, venderam suas propriedades centenárias, logo demolidas. Foi tomado pelos recém-vindos, os veranistas compradores, que mostravam papéis que diziam legitimar a invasão. E sua casinha acabou espremida entre as novas e ricas residências, sem mais que alguns palmos de terra livre para plantar uma verdura ou algumas flores.
Não poucas vezes foi aconselhado a vendê-la também. Teria o dinheiro para o motor, e para comprar uma casa melhor, talvez no longínquo pé da serra, onde o terreno permanecera barato. Mas ele resistira, como resistira em fazer o que fizeram parentes e amigos, deixar a pesca e aderir a alguma das atividades bem mais rendosas e menos rudes que a chegada do turismo já propiciava. Nascera pescador, morreria pescador.
Finalmente, lograra um empréstimo com um amigo, e comprara o motor. E então a embarcação que construíra foi à água. Sua pesca passou a ser mais produtiva, não teve dificuldades em livrar-se da dívida. Por decênios trabalhara nela, primeiro sozinho, depois ajudado pelo filho. O barco sustentara a família que crescera, o filho casara, vieram os netos. Que estavam agora também ali à sua frente, mexendo no tabuleiro dos espinhéis, preparando-os para a próxima pescaria.
Era mesmo um bom, um robusto barco. Enfrentara com galhardia  temporais que desmanchariam as tábuas de quaisquer outras embarcações. As lembranças daqueles dias foram aflorando, os episódios mais difíceis surgindo do passado, tomando forma, e uma angústia súbita lhe veio, prendeu-lhe a respiração. Como gostaria de sair para o mar aberto novamente, sentir novamente o perigo presente, o balançar doido do convés a seus pés na tormenta, o espirrar das ondas altas quebrando na proa, o cheiro forte e gostoso da maresia entrando-lhe pelas narinas…
Nunca mais. Não com sua saúde assim debilitada, os passos trôpegos que mostravam não poder mais suster-se a bordo, nem mesmo no arfar suave da embarcação em tempo bom. Nunca mais. Mas estava ali seu filho, e os netos ajudando-o na tarefa marinheira. Eles eram sua continuação. O amargor se foi tão depressa quanto viera. Pensou nas tentações que cercavam a juventude depois que fora construída aquela maldita estrada, a estrada que transformou a vila pacata numa cidade turística. No descaminho, para a marginalidade e para as drogas, dos filhos de tantos conhecidos, até de parentes. Sentiu-se realizado, fora poupado, conseguira manter seu filho junto ao mar, e os netos iriam segui-lo, já mostravam que iriam segui-lo. E eles estariam bem.
Eles estariam bem. Seu olhar afastou-se pela praia em direção ao centro da cidade, meia hora, a passo, adiante. Logo mais as luzes da avenida que ladeava o mar se acenderiam. Eram luzes fortes, muito fortes, que escondiam o brilho das estrelas, tiravam a graça da noite praiana. Mesmo assim, teimara em passear na areia com a mulher em noites enluaradas, como fizera desde que se uniram. Caminhavam de mãos dadas pela praia, descalços, sentindo nos pés a espuma fria das ondas mais atrevidas, nunca cansando de ver a ardentia formada no seu rebuliço.
Certa vez foi advertido pelo filho. Havia perigo, a cidade não era mais a mesma, as pessoas não eram mais as mesmas. E ele naquela idade não era mais o mesmo, podia ser assaltado no escuro da noite. Não deixou de fazê-lo, preferia morrer a deixar de fazê-lo. Mas foi sua companheira quem partiu antes dele, e com ela se foi também o encanto dos passeios noturnos, ficou só a saudade…
Saudade… É, o mundo mudara tanto, tanta coisa mudara… Lembrou o absurdo que assistira pela manhã, uma viatura com uns tais fiscais ambientais a ordenar que seu filho removesse para a água o barco, não poderia mais utilizar a praia para a manutenção semestral do velho casco … Não adiantou mostrar que havia um encerado estendido debaixo da carreta para aparar eventuais pingos de tinta, fizeram-lhe assinar documento comprometendo-se, sob pena de multa pesada, a tirar a embarcação da praia até o dia seguinte…
…daquela mesma praia onde ela fora construída, e tantas outras e outras também, mesmo antes que qualquer turista pisasse aquelas areias… antes que eles conspurcassem essas mesmas areias com suas latas de cerveja, suas embalagens plásticas, sua sujeira …
É, o mundo mudara, não o entendia mais…. Mas ele não mudara, e o mar também não, era sempre o mesmo, sua beleza a mesma, sua rara e também bela fúria a mesma. Só o peixe, mais escasso, precisava ser buscado cada vez mais longe, mais longe…
Saudade… Sentado em sua cadeira, o velho pescador foi vagarosamente cerrando seus olhos. Quando os fechou de vez, viu-se imediatamente sobre seu barco. Novamente sobre seu barco, segurando firme o leme de seu barco. O mar estava grosso, mas ele sabia que mais adiante baixaria, e era importante aproveitar aquele primeiro dia de navegação para atingir um bom pesqueiro, o melhor pesqueiro. Lá, com as águas mais amansadas, poderia pescar o suficiente, traria na volta à família pescado suficiente para mantê-los até seu próximo retorno do mar.
Terminado seu trabalho, o filho notou que o velho dormira. Era hora de voltar à casa, chamou-o, sacudiu-o. De longe, de muito longe, o pescador ouviu vozes aflitas chamando-o, chamando-o. Era sempre assim, quando ele deixava terra para pescarias mais demoradas. A companheira chorosa, o filho quando pequeno chorando também, querendo ir junto. Mas eles ficariam bem, até sua volta eles estariam bem…
Aos poucos a voz dos familiares foi ficando mais fraca na distância, e o velho pescador concentrou-se em seu rumo.
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NOTA DO EDITOR:  O autor  evidentemente não  inspirou-se  em
O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway.  Na verdade buscou inspiração  em amigos seus caiçaras, que de um jeito ou de outro o remetem à idéia do homem primata do mar, tema do mês, na acepção mais nobre desta expressão que criamos aqui na Conversa no Píer.  Mas encontramos essa foto de Gregório Fuentes, que foi o skipper do “Pilar”, barco de pesca de Ernest Hemingway, acompanhou o grande escritor e aventureiro por décadas, e o inspirou para escrever sua obra clássica, com a qual ganhou o Prêmio Nobel de Literatura O Velho e o Mar. Esta foto, na cadeira, foi clicada no famoso bar em Key West, Sloppy Joe´s, que por acaso tem uma história muito interessante de “primatas do mar”. Um dia nós a abordaremos aqui…
Autor:
 Magalhães Netto - MAGA.