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sexta-feira, 16 de abril de 2010
Dicas para velejar solo ou com pouca tripulação
“Um velejador dos oceanos, especialmente um solitário, precisa ser seu próprio carpinteiro, eletricista, cozinheiro, doutor, navegador, mecânico e as vezes até advogado”
Esta celebre frase do famoso velejador Tristan Jones exemplifica bem o quanto um navegador solitário ou não precisa se preparar para enfrentar grandes viagens oceânicas.
Para ter sucesso em suas navegadas o velejador solo precisa ter um alto conhecimento em marinharia, muita competência e precisa ainda ter, ou pelo menos desenvolver, o bom senso, o cuidado, a vigilância, um alto grau de paciência e finalmente uma considerável prudência.
O bom senso, o cuidado e a vigilância têm uma relação direta com os detalhes na organização e desenvolvimento de um cruzeiro. O reconhecimento dos procedimentos corretos para elaborar as diversas tarefas a bordo em uma seqüência própria de marinharia requer muito treinamento e pratica. Para colocar um rizo na vela grande, por exemplo, você tem que obedecer uma devida ordem, ou seja, folgar a escota da grande, soltar o burro da retranca, liberar a adriça da grande, etc. Caso esta ordem de serviços não seja obedecida, algo pode dar errado, complicando ainda mais a manobra. A manutenção e a constante vigilância em todas a partes principais da embarcação têm que ser sistemática e consistente. É importantíssimo saber antecipadamente se existe o risco de uma peça se quebrar ou se soltar, fazendo um trabalho muito mais preventivo do que remediável. Uma atitude correta neste sentido pode livrá-lo de sérios problemas no futuro.
A paciência é muito importante para todo velejador solo por que a pressa e a falta de paciência podem conduzi-lo a uma situação de desatenção ou descuido na manutenção do barco ou na navegação. O navegador solo tem que aprender a usar todo o seu tempo disponível para fazer certo o trabalho de reparo e de preferência de uma só vez. Ter que repetir o trabalho por falta de planejamento e cuidado é uma considerável perda de um tempo muito precioso ao navegador que tem que fazer tudo sozinho.
Já a prudência tem a ver com a habilidade de antecipação, de prever o que pode ou provavelmente irá acontecer. Ele necessita ter conhecimento suficiente, experiência e familiaridade, para não dizer intimidade, para perceber que problemas podem possivelmente acontecer com seu barco. Prudência tem a ver também com pensar e planejar a frente: saber quando trocar a velas antecipadamente, manter-se bem alimentado e descansado para na hora da tempestade saber lidar bem com a crise, separar as ferramentas certas que irá usar, acondicionar bem e em lugar conhecido a sua provisões, etc. Em suma, um navegador solo precisa pensar a frente e seguir o seu plano, mas precisa ter em mente um plano alternativo caso o plano original não dê certo.
Um caso clássico e muito comum se dá ao se aproximar de um porto ou de uma ancoragem com forte correnteza. Nesse momento, a princípio sem importância para muitos velejadores, o skipper precisa estar preparado para qualquer eventualidade de falha do motor, falta de vento ou piora do tempo. Se o motor não é confiável ele precisa ter as velas preparadas para uso imediato, todos os cabos de atracação e eventualmente um cabo longo, usado para reboque, precisam estar prontos para uso, assim como todo o aparato de ancoragem (croque, guincho de âncora, âncora reserva, etc). Não da para confiar totalmente no motor, lembre-se, prudência é fundamental.
Por André Homem de Mello
www.andrehm.com.br
www.sailingadventures.com.br
Para saber mais sobre as aventuras de André Homem de Mello, leia o livro Diário de Bordo, disponível no site do velejador: www.andrehm.com.br.
ORIGINAL
http://www.nautica.com.br/colunas/viewcoluna.php?id=408
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